Governo sugere avaliar universidades pelo número de ex-alunos desempregados

Foto: TASS

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Ministério da Educação e Ciência da Rússia está elaborando novos critérios para medir a eficácia dos estabelecimentos de ensino superior do país. A ideia é considerar o número de recém-graduados oficialmente desempregados, uma iniciativa criticada por especialistas na área.

De acordo com o vice-ministro da Educação, Aleksandr Klimov, a proposta é avaliar a relação entre o sistema de ensino e o mercado de trabalho, e ver o número de profissionais de nível superior inscritos como desempregados em agências de emprego logo após a graduação.

Em entrevista ao jornal “Kommersant”, o governante declarou que cerca de 6% dos jovens profissionais de nível superior se inscrevem como desempregados em agências de emprego logo após a graduação. “O curso não garante emprego, nem sequer aqueles não relacionados à sua profissão”, disse Klimov.

As profissões com o maior índice de desemprego são as de jurista e economista, segundo informações do Serviço Federal de Emprego (SFE).

Em 2012, cerca de 34 mil graduados em universidades, em sua maioria juristas e gerentes de finanças, se dirigiram a agências de emprego em busca de emprego. “Desses, apenas um  terço conseguiu emprego”, disse o diretor do SFE, Iúri Guerci.

A secretária-geral da União Russa de Reitores de Universidades, Olga Kachirina, disse ao jornal “Kommersant” que os critérios de avaliação propostos pelo Ministério da Educação são muito simplistas.

“É preciso elaborar critérios dinâmicos que reflitam a evolução de um jovem profissional. Já o ministério sugere medir o lado negativo, ou seja, o número de alunos que não conseguiram encontrar emprego”, afirmou Kachirina.

A melhor opção, segundo a especialista, seria utilizar os dados do Serviço de Receita Federal. “Podemos relacionar o imposto de renda pago por um jovem profissional com os rendimentos da empresa onde ele trabalha e, assim, avaliar sua contribuição para o desenvolvimento de sua empresa ou do setor público, além de sua evolução na carreira”, acrescentou Kachirina.

“A ideia de medir a eficácia das universidades pelo número de desempregados não é boa porque vai  criar uma representação deformada da qualidade do ensino de determinada universidade”, acredita o chefe de um departamento de RH no Instituto de Previsões Econômicas da Academia de Ciências da Rússia, Andrêi Korovkin.

“As agências de emprego não têm condições para oferecer vagas de emprego à maioria dos jovens profissionais que se inscrevem nelas”, completa.

O reitor da Escola Superior de Economia, Iaroslav Kuzminov, sugere calcular e publicar a renda média dos recém-graduados. “Precisamos entender quão eficaz é uma universidade. Para tanto, devemos usar a experiência de outros países e analisar a evolução dos rendimentos dos graduados nos cinco anos posteriores à graduação”, disse Kuzminov.

 

Com materiais do veículo Kommersant e da agência de notícias Interfax

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