Bilionário russo vai doar metade de sua riqueza a instituições de caridade

Vladímir Potánin Foto: Kommersant

Vladímir Potánin Foto: Kommersant

Vladímir Potánin afirmou que se juntará à Promessa de Doação, iniciativa lançada em 2010 por Bill Gates e Warren Buffett

Vladímir Potánin, proprietário do grupo de empresas Interros, foi o primeiro dos empresários russos a se juntar à iniciativa Promessa de Doação (Giving Pledge), lançada em 2010 pelo co-fundador da Microsoft Bill Gates e pelo investidor Warren Buffett.

Potánin se juntará a onze bilionários de outros países que doarão doar a metade de sua fortuna a organizações de caridade.

A iniciativa visa estimular as pessoas mais ricas e suas famílias a doarem pelo menos 50% de suas fortunas à caridade. Entre os integrantes do clube de ricos filantropos, que agora tem 92 pessoas, estão Michael Bloomberg, David Rockefeller, George Lucas, entre outros.

"Espero que meu exemplo não só venha a mostrar ao mundo que a filantropia está ressurgindo na Rússia, mas também venha a encorajar meus compatriotas e outras pessoas", escreveu Potánin em uma carta direcionada aos autores da iniciativa.

Potánin começou a praticar beneficência ainda em 1999. O fundo de caridade Vladímir Potánin gasta anualmente cerca de US$ 10 milhões com educação, cultura e esportes. Entre suas iniciativas esteve um apoio financeiro aos museus Hermitage e Guggenheim. Há três anos, o empresário anunciou sua intenção de doar sua fortuna à caridade.

A razão é simples: Potánin quer que seus herdeiros consigam tudo por conta própria.

"Em muitos anos de trabalho como empresário, vi que muito dinheiro gera grandes tentações e é um fardo pesado para os herdeiros. Eles estão na sombra de seu pai famoso e rico e têm poucos incentivos e motivação na vida porque já têm tudo. Por isso, estou convencido de que deixar aos filhos heranças tão grandes é incorreto porque isso os deixa desmotivados na vida”, escreveu o empresário em sua coluna na revista Forbes.

“Se você quiser fazer seu filho feliz, dê-lhe um milhão, se quiser matá-lo, dê-lhe um bilhão, pois, nesse caso, ele pode pensar que sua vida acabou porque ele não tem mais o que querer. Foi por isso que decidi não transmitir meus ativos por herança, mas doá-los à caridade, deixando-os sob a gestão fiduciária."

Na Rússia, a decisão de Potánin causou reações diversas

"Uma vez que um homem que construiu um império tão grande não vê seu futuro nas mãos de seus filhos ou quer que eles consigam tudo por conta própria, é lógico ele doar seu dinheiro a organizações de caridade. Outra coisa é que esse dinheiro poderia ajudar a resolver muitos problemas internos do país", afirma o banqueiro Aleksandr Gafin, membro do conselho de diretores do Banco Rietumu.

"Acho que Potánin não confia no sistema nacional de governança e acredita que seria mais prático entregar seus capitais a uma fundação ocidental", completou.

Ativos a doar

Na primavera de 2012, a revista Forbes estimou a fortuna de Vladímir Potánin em US$ 14,5 bilhões, colocando-o em 4º lugar da lista dos homens de negócios mais ricos da Rússia. De acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, que mede todos os dias a fortuna das 100 pessoas mais ricas do mundo, Potánin ocupa a 52ª posição.

O empresário controla pessoalmente seus ativos através do grupo de empresas Interros. Parte do lucro é reinvestida no negócio, outra parte é encaminhada para o financiamento de projetos de caridade. No futuro, a gestão dos ativos será repassada a um fundo fiduciário especial, informou a assessoria de imprensa do empresário.

 

Publicado originalmente pelo Vedomosti

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