Tribunal rejeita apelo de integrante do Pussy Riot

Foto: AP

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Maria Aliokhina, uma das integrantes do Pussy Riot presa no ano passado, havia solicitado que sua sentença fosse suspensa até que o filho complete 14 anos.

O tribunal da pequena cidade de Berezniki, na região de Perm, onde Maria Aliokhina está cumprindo sentença de dois anos, rejeitou nesta quarta-feira (16) o apelo solicitado por seus advogados de adiar a sentença até 2020.

Aliokhina apresentou o recurso com base no artigo 82 do Código Penal da Rússia, segundo o qual detentos do sexo feminino que tenham filhos com idade inferior a 14 anos podem solicitar suspensão da pena até a criança atingir tal idade. O filho de Aliokhina, Filipp, tem atualmente seis anos.

“Estou certa de que meu recurso será rejeitado”, disse Aliokhina durante pronunciamento na audiência, conforme publicado no Twitter do grupo Voiná direto do tribunal.

“Quando o Estado vira as costas para as crianças em sua mais alta instância, é claro que a decisão judicial em uma cidade pequena vai simplesmente reproduzir a decisão. Mas gostaria que um milagre acontecesse e esse tribunal fosse composto por pessoas que realmente se preocupam com as crianças”, continuou a integrante do Pussy Riot.

Aliokhina e duas outras integrantes do Pussy Riot, Nadeguda Tolokonnikova e Ekaterina Samutsevitch, foram detidas na primavera passada, após realizarem uma manifestação na Catedral Cristo Salvador, a maior igreja de Moscou. Na ocasião que antecedeu as eleições presidenciais na Rússia, as Pussy Riot cantaram sua canção de protesto “Virgem Maria, livrai-nos de Pútin” usando balaclavas para cobrir o rosto.

Em agosto do ano passado, as três jovens foram condenadas a dois anos de prisão sob acusação de vandalismo. Samutsevitch apresentou um recurso e foi libertada em outubro, depois de o tribunal ter entendido que havia desempenhado um papel menor no protesto.

Aliokhina, por sua vez, foi enviada a um presídio na região de Perm no início de novembro. Desde então, já recebeu advertências oficiais por infracções menores de regras carcerárias, tais como continuar dormindo após o toque de despertar. Aliokhina também foi colocada em isolamento devido a suas “relações complexas com as outras detentas”, informou a agência de notícias RAPSI.

Tolokonnikova, que possui uma filha de cinco anos de idade, também entrou com um recurso para adiar a sentença. O apelo está sendo considerado por um tribunal da Mordóvia, onde Tolokonnikova está cumprindo a pena.

Esse não é primeiro caso de grande repercussão no qual um tribunal russo é levado a considerar a libertação de mães de crianças pequenas. Três anos atrás, Anna Chavenkova, 28, uma ativista do Rússia Unida e filha do chefe da comissão eleitoral da região de Irkutsk, foi condenada a dois anos e meio de prisão por ter atropelado duas mulheres, ocasionando a morte de uma delas. A sentença foi suspensa de acordo com do artigo 82, após Chavenkova dar à luz pouco antes da audiência final.

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