Trump e a cooperação EUA-Rússia na Síria

Bombardeiros Tu-22M3 russos em ataque a bases terroristas no distrito de Deir ez-Zor, no leste da Síria

Bombardeiros Tu-22M3 russos em ataque a bases terroristas no distrito de Deir ez-Zor, no leste da Síria

RIA Nôvosti
A aviação russa e as forças da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos realizaram, no início da semana, o primeiro ataque conjunto contra a guerrilha do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) no norte da Síria. Segundo especialistas militares, embora Donald Trump esteja determinado a eliminar o EI, isso só será possível de três maneiras, e a mais realista delas é se unindo à Rússia.

Em um telefonema de militares americanos na última segunda-feira (22), a base aérea russa na Síria recebeu dados confidenciais com as coordenadas dos terroristas do EI perto da cidade de al-Bab, atual foco das operações militares do grupo terrorista.

Caças russos, juntamente com as forças da coalizão internacional, seguiram à região e destruíram as bases de terroristas que preparavam um ataque contra o Exército sírio.

Após o fato, o representante oficial da Casa Branca, Sean Spicer, reiterou que Trump havia sido “absolutamente claro” quando disse estar “disposto a trabalhar com qualquer país que pretenda acabar com o Estado Islâmico”, seja “a Rússia ou qualquer outro”.

“Em 24 de janeiro o Pentágono negou por inércia que exista uma colaboração com a Rússia contra o EI. E enquanto o novo secretário de Defesa norte-americano James Mattis ainda não tiver uma equipe, é muito cedo para falar sobre mudanças radicais na abordagem dos EUA em relação à Rússia”, disse à Gazeta Russa o diretor científico do Instituto dos EUA e Canadá da Academia Russa de Ciência, Serguêi Rogov.

Segundo ele, até o final desta semana Trump se reunirá no Pentágono para estabelecer novos alvos e missões para os militares americanos na Síria.

Plano russo para 2017

Especialistas acreditam que o próximo local de atuação das Forças Aeroespaciais russas será a província de Idlib, aonde mais de 30 mil militantes e suas famílias foram usando corredores humanitários a partir de Aleppo.

“Com o apoio da Rússia, o exército sírio tentará cercar os terroristas, libertando a parte ocidental da província de Aleppo, bem como o norte das províncias de Hama e Latakia”, afirma o especialista militar e vice-diretor do Instituto dos Países da CEI, Vladímir Ievseiev.

Os combates nessas áreas devem se estender até a metade do ano, prevê o observador; na sequência, os exércitos russo e sírio irão, provavelmente, se deslocar para a frente oriental, em direção às cidades de Raqqa e Deir ez-Zor.

“Espero que a gente comece a colaborar ativamente com os EUA e, assim, a guerra na Síria não vai durar mais de um ano”, diz Ievseiev.  

Cenários dos EUA na Síria

Os especialistas entrevistados pela Gazeta Russa concordam com uma coisa: a determinação de Donald Trump e seu desejo de acabar com o Estado islâmico.

“Existem muitas opções possíveis: enviar um contingente terrestre à Síria para conduzir operações de combate; aumentar o financiamento da chamada oposição moderada e dos curdos, o que provocaria um grandes descontentamento no principal aliado dos EUA na região, a Turquia; assim como o desenvolvimento de um plano mais realista de cooperação militar com a Rússia”, disse Rogov.

No entanto, um acordo sobre os objetivos e a distribuição de responsabilidades só ocorrerá após uma reunião entre os presidentes russo, Vladímir Pútin, e americano, Donald Trump, acredita o coronel aposentado Leonid Ivachov, que preside o Centro Internacional de Análise Geopolítica.

“A ideia de cooperar com a Rússia vai encontrar uma resistência feroz no Pentágono, mas é muito pouco provável que Trump e a sociedade americana concordem com uma operação terrestre para derrotar o EI seguindo o cenário afegão ou iraquiano”, afirma. “Portanto, não devemos excluir a possibilidade de cooperação militar com a Rússia”.

Se a cooperação realmente se concretizar, será a primeira aliança militar entre Rússia e EUA após a Segunda Guerra Mundial. “Mas ainda é muito cedo para falar sobre isso”, concluiu Rogov, do Instituto dos EUA e Canadá.

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