Estado Islâmico volta a mirar destruição de Palmira

Imagem do anfiteatro romano em Palmira tirada em 1º de abril de 2016

Imagem do anfiteatro romano em Palmira tirada em 1º de abril de 2016

Reuters
Mesmo após ter sido parcialmente destruído por membros do Estado Islâmico e da aparente nova ameaça, ministro da Cultura russa ainda acha possível restauração completa do sítio arqueológico de Palmira; o patrimônio histórico-cultural sírio era considerado muito preservado pelos padrões mundiais.

Na última sexta (20), a televisão estatal síria mostrou que militantes do grupo terrorista do Estado Islâmico (EI) destruíram a fachada de um anfiteatro romano e o complexo arquitetônico do “tetrapylon” (monumento de tipo romano utilizado para marcar encruzilhadas, com uma construção cúbica aberta com quatro portões), em Palmira. A reportagem, no entanto, não especificou a extensão com que os monumentos da Antiguidade sofreram pelos atos de vandalismo.

Timur Karmov, conselheiro científico do instituto do patrimônio histórico do ministério da Cultura na Rússia, disse que as informações que recebeu era que o anfiteatro não tinha sido completamente destruído pelos militantes, apenas a fachada e as estruturas adjacentes ao palco —as partes mais fáceis de serem demolidas.

Imagens de satélite mostram antes e depois de parte de anfiteatro ser destruído; a primeira imagem é de 26 de dezembro de 2016, e a segunda, de 10 de janeiro de 2017 Foto: ReutersImagens de satélite mostram antes e depois de parte de anfiteatro ser destruído; a primeira imagem é de 26 de dezembro de 2016, e a segunda, de 10 de janeiro de 2017 Foto: Reuters

“As estruturas monolíticas são mais difíceis de serem implodidas. É preciso mais explosivos e mais força. O “tetrapylon”, localizado perto do deatro, é mais simples de destruir. Era uma estrutura “pré-fabricada” apoiada em quatro colunas e para derrubá-la bastava uma pequena quantidade de explosivos”, explicou Karmov. “Parece que toda a parte superior foi embora com a explosção, mas a fundação permaneceu.”

Karmov disse ainda que o instituto recebeu fotos dos detalhes da destruição tiradas por satélites da Boston University.

A volta dos militantes

Em anúncio feito na última quarta (18), o general Sergei Rudskoy, chefe do departamento de operações russo, disse que os militantes do EI voltaram a se locomovendo, com armas e munições, “quase sem impecilhos” na direção de Palmira.

Imagens de satélite mostram antes e depois de "tetrapylon" ser destruído; a primeira imagem é de 26 de dezembro de 2016, e a segunda, de 10 de janeiro de 2017 Foto: ReutersImagens de satélite mostram antes e depois de "tetrapylon" ser destruído; a primeira imagem é de 26 de dezembro de 2016, e a segunda, de 10 de janeiro de 2017 Foto: Reuters

De acordo com Rudskoy, “uma grande quantidade de explosivos está sendo transportada para Palmira, onde os terroristas pretendem destruir o que resta do patrimônio histórico e cultural da cidade”. 

O grupo EI atacou Palmira em 9 de dezembro do ano passado, na tentativa de apoderar-se das instalações produtoras de petróleo e do aeroporto militar ao redor da cidade. Dois dias depois, no dia 11, as forças militares do governo sírio retiraram-se da cidade antiga, que ocupavam desde março com o apoio russo. 

Restauração possível

O anfiteatro romano de Palmira não é o maior dos monumentos similares da Antiguidade preservados no Oriente Médio, mas é considerado único em sua especificidade. Antes dos ataques dos militantes do EI, seu nível de conservação era considerado alto se comparado a outros sítios arqueológicos similares no resto do mundo, diz Karmov.

“Se quisermos restaurá-lo, temos desenhos, mapas e fotografias da estrutura existente até então, material que pode ser usado no trabalho. Há documentação feita por pesquisadores de todo o mundo, felizmente. Acho que com os recursos e esforços necessários, será possível realizar sua restauração completa.”

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