Constituição e eleições são próximos passos na Síria

Fim de conflitos não está próximo, segundo Tchúrkin.

Fim de conflitos não está próximo, segundo Tchúrkin.

Reuters
Representante permanente da Rússia na ONU, Vitáli Tchúrkin, falou nesta quarta-feira (14) sobre retomada de Aleppo.

O governo recuperou o poder sobre os últimos bairros do leste de Aleppo, declarou o representante permanente da Rússia na ONU, Vitáli Tchúrkin, nesta quarta-feira (14).

Mas o diplomata disse que é cedo para se falar em um fim para a fase ativa dos combates no país.

"Dizer que o conflito sírio está próximo de um fim seria um exagero. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas seria bom que esse caminho retomasse as resoluções de dezembro do ano passado, com a redação de uma nova Constituição na Síria e a realização de eleições sob controle internacional", disse Tchúrkin.

Segundo o representante russo na ONU, depois disso será necessário começar uma colossal tarefa de reconstruir o país, assolado por seis anos de guerra civil.

Passos políticos

Depois da liberação de Aleppo, a Rússia tentará colocar todos os representantes da oposição moderada para negociar e iniciar uma nova rodada de negociações internas na Síria.

"O exército sírio tomou o controle da capital, antes sob a oposição armada. Agora temos razões para esperar uma nova rodada no processo de resolução pacífica com as forças dispostas a manter diálogo e a tomar decisões", disse à Gazeta Russa o coronel de reserva e observador militar Mikhaíl Khodoriônok.

Ações do exército

Mais de cem sapadores russos começaram a desminar a cidade, disse à Gazeta Russa o o analista militar do jornal Izvêstia, Aleksêi Ramm.

O Ministério da Defesa russo também estaria se encarregando de oferecer assistência humanitária aos feridos da cidade e de prover material de primeira necessidade, como alimentos, roupa e medicamentos.

"Agora, o mais importante é manter a cidade sob controle e estabelecer um regime muito restrito. Não podemos permitir que grupos terroristas voltem a se formar", diz Ramm.

Para ele, as posições do exército sírio nos subúrbios de Aleppo poderiam receber reforços.

Novos palcos de operações militares

Depois de Aleppo, o comando das Forças Aeroespaciais da Rússia começou a se preparar para a libertação de outra cidade importante: Deir ez-Zor.

"Todos os planos táticos estão mudando, e a chefia decidirá como a operação se desenrolará para a libertação dessa região. Não se pode chegar a Deir ez-Zor sem se libertar Palmira, já que 4000 guerrilheiros do EI atacariam nossa retaguarda", diz Ramm.

De acordo com ele, com a queda de Palmira, a base aérea a oeste da cidade também caiu nas mãos de terroristas.  

"Para que a operação em Deir ez-Zor saia-se bem, as tropas precisam manter Aleppo e Palmira sob seu poder. Só então se poderá cercar os guerrilheiros do Estado Islâmico e assegurar retaguardas e expulsar os terroristas da cidade", acrescenta Ramm.

Cooperação com EUA

De acordo com o diretor-adjunto do Instituto dos EUA e Canadá da Academia Russa de Ciências, o general-major de reserva Pável Zolotariov, é mais provável que o posto de secretário da Defesa dos EUA seja dado ao ex-comandante da operação norte-americana no Afeganistão, Jamis Mattis, que deverá colaborar com o Ministério da Defesa da Federação da Rússia no desenvolvimento da operação na Síria.

"Ele é um homem prático e com boa experiência militar, que deverá reorganizar o trabalho da coalizão ocidental na Síria. Acredito que haverá uma maior cooperação militar, e não só reverências políticas entre aliados e inimigos", diz Zolotariov.

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