Rússia endurece ofensiva contra Estado Islâmico na Síria

Bombadeiros estratégicos Tu-22 M3 atravessaram mar Cáspio, o Irã e o Iraque antes de chegar à Síria

Bombadeiros estratégicos Tu-22 M3 atravessaram mar Cáspio, o Irã e o Iraque antes de chegar à Síria

RIA Nôvosti
Bombardeiros estratégicos realizaram primeiro ataque após retirada de tropas russas. Iniciativa teria sido motivada por derrotas do Exército sírio e assassinato de militares.

As Forças Aeroespaciais da Rússia utilizaram na Síria, pela primeira desde o anúncio da retirada de parte do contingente, seis bombardeiros estratégicos Tu-22M3 para enfrentar as guerrilhas do Estado islâmico (EI).

“Em 12 de julho, seis bombardeiros de longo alcance Tu-22M3, que decolaram de um aeroporto no território russo, realizaram um ataque concentrado com munição de alto poder explosivo contra as posições do grupo terrorista Estado Islâmico em uma área ao leste de Palmira, as-Suhnah e Arak”, divulgou, em nota, o Ministério da Defesa russo.

Em virtude do ataque, foram destruídos um dos principais campos dos extremistas e três armazéns com armas e munições. Ainda segundo a pasta da Defesa, a operação teria atingido também 3 tanques, 4 veículos de combate de infantaria e 8 blindados.

Fonte: YouTube/Ministério da Defesa da Rússia

Operação retomada

De acordo com o observador militar do “Izvéstia”, Dmítri Safonov, a situação na área de Palmira havia saído do controle do Exército sírio. “As tropas sofreram uma série de derrotas, e os guerrilheiros do EI haviam passado a um ataque em grande escala. Por isso era necessária uma maior participação das Forças Armadas russas”, afirma.

Além de estabilizar a situação, os ataques russos permitiram ao Exército local iniciar uma ofensiva. “Havíamos destruído a infraestrutura principal do Estado Islâmico e privado os guerrilheiros de realizar manobras. Porém, mais tarde, a Rússia retirou parte de sua aviação e reduziu a intensidade dos ataques contra os terroristas. Isso permitiu que eles se reagrupassem e retomassem a iniciativa”, explica Safonov.

Após os últimos fracassos de tropas do governo sírio, as Forças Aeroespaciais russas deverão aumentar o número de ataques aéreos, prevê o especialista. “Sobretudo, continuarão conduzindo ataques da aviação estratégica a partir do território russo.  Mas Moscou não vai ordenar o regresso do agrupamento principal à Síria.”

Segundo uma fonte da Gazeta Russa no Ministério da Defesa, durante a recente operação, cada um dos Tu-22M3 transportava oito toneladas de ogivas. O ataque foi realizado a partir do aeródromo da cidade de Mozdok, a 1.725 quilômetros ao sul de Moscou, e a rota das aeronaves atravessou o mar Cáspio, o Irã e o Iraque.

A primeira vez que foram utilizadas tropas da aviação de longo alcance da Rússia foi em meados de novembro passado, quando os órgãos de aplicação da lei divulgaram a informação de que militantes do EI estariam envolvidos no abate do Airbus A321.

Vingança ou missão

Mais cedo, alguns meios de comunicação haviam relatado que os ataques da aviação de longo alcance seriam uma vingança pela morte de pilotos russos perto de Palmira.

No último dia 8 de julho, durante uma operação militar nesta região, alguns militantes do Estado Islâmico conseguiram romper a defesa do Exército sírio e começaram a avançar rumo à parte histórica da cidade.

Após serem informados do ataque, helicópteros russos que sobrevoavam a província de Homs seguiram para o local e conseguiram brecar o avanço dos extremistas. No entanto, durante o combate, soldados Estado islâmico derrubaram um veículo Mi-25 (a versão de exportação do Mi-24), causando a morte dos dois tripulantes.

O porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov, garantiu, por outro lado, que o ataque da aviação de longo alcance já estava previsto pelo Ministério da Defesa. “Todos esses ataques [com Tu-22M3] estão sendo realizados no âmbito da operação em curso das tropas aeroespaciais da Rússia”, disse Peskov, em entrevista à agência Interfax.

Segundo Safonov, que não confirmou a versão, os militares não tinham a intenção de se vigar, mas sim resolver missões globais. “A missão de hoje era permitir que o Exército sírio continuasse sua operação militar na sequência dos prejuízos sofridos”, arremata.

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