Moscou e Washington avaliam ampliar cooperação na Síria

Choigu (centro) visita base aérea da russa de Hmeimim, na Síria

Choigu (centro) visita base aérea da russa de Hmeimim, na Síria

Reuters
O presidente norte-americano, Barack Obama, propôs à Rússia iniciar operações de combate conjuntas contra os militantes da frente Al-Nusra. Especialistas acreditam que medida tenta reforçar a posição dos democratas na corrida presidencial dos EUA, mas também pode ter implicações positivas para Moscou.

A Casa Branca decidiu estender as operações de combate contra a Frente Al-Nusra na Síria. O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que o país está disposto a ampliar a interação com Moscou se o bombardeio de formações pró-ocidentais, como Jaysh al-Islam e Ahrar al-Sham, cessar.

O Ministério da Defesa russo reagiu positivamente à proposta norte-americana e declarou que, em maio passado, o chefe da pasta, Serguêi Choigu, já havia se posicionado em favor da condução de operações conjuntas.

Segundo os especialistas russos, a iniciativa não só ajudaria a tomar decisões sobre a crise síria, mas também deve levar a um progresso nos contextos iraquiano e afegão.

Barreira para cooperação

No entanto, o governo de Moscou está preocupado com o fato de que o Pentágono não planeja para repassar ao Ministério da Defesa russo as coordenadas precisas das formações, limitando-se apenas a listar as zonas “livres de ataques por parte das forças aéreas da Síria e da Rússia”.

“A cooperação pode ser complicada por uma série de fatores. Em primeiro lugar, o Pentágono não está disposto a informar Moscou sobre as coordenadas das formações pró-ocidentais, e sim apenas delinear as zonas de combate”, diz o especialista militar do jornal “Izvéstia” Dmítri Litóvkin, acrescentando que o sigilo poderá ter impacto negativo sobre a eficácia das operações conjuntas.

Diversos especialistas norte-americanos também compartilham as preocupações do Kremlin. O ex-embaixador dos EUA para a Síria, Robert Ford, disse ao “Washington Post” que, mesmo se Damasco concordar em cessar os bombardeios a bairros onde grupos pró-ocidentais estão baseados, “nada irá impedir que os militantes da Al-Nusra movam suas tropas para as regiões marcadas como as que não devem ser atacadas”. 

Focos do conflito

De acordo com o  especialista militar Vladímir Evseiev, que é também vice-diretor do Instituto de Países da CEI, o principal objetivo de combate dos EUA é libertar a cidade de Raqqa, autodenominada capital do Estado Islâmico (EI) por seus militantes.

“Obama quer libertar os civis e deixar a sua marca na história. E em um momento em que o Exército sírio está deixando a província de Raqqa e está praticamente interrompendo o seu avanço sobre a capital da província, as formações pró-ocidentais, com a ajuda da aviação dos Estados Unidos, irão em breve começar a ofensiva sobre a cidade”, explica Evseiev.

A principal direção para o Exército de Damasco será, porém, a cidade de Aleppo, cuja libertação é vista como peça-chave do presidente sírio Bashar al-Assad para o sucesso na guerra. “É lá que ele irá mover o seu Exército”, acrescenta o observador. 

“De um ponto de vista tático-militar, Raqqa não é muito importante. É muito mais importante nesta fase da guerra recuperar o controle dos bairros do norte de Aleppo. Isso ajudará a eliminar o corredor de transporte dos terroristas através do qual recebem mantimentos, munições, remédios e reforços, conclui Evseiev.

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