Da Síria, correspondente reporta combate russo ao EI

Enquanto os jornalistas participam de um "briefing" sobre o que é ou não permitido, os militares preparam os caças e os bombardeiros para a decolagem.

Enquanto os jornalistas participam de um "briefing" sobre o que é ou não permitido, os militares preparam os caças e os bombardeiros para a decolagem.

AFP/East News
Nikolai Litovkin relata atividades russas no país após retirada de principal contingente de tropas. Jornalista atua no país como "embedded reporter", ou seja, aquele que acompanha o exército e é por ele direcionado na zona de conflito armado, obedecendo suas regras.

A vida na base militar russa de Hmeimim na Síria é agitada dia e noite. Apesar da trégua anunciada em 27 de fevereiro, a guerra contra o Estado Islâmico e o grupo Jabhat al-Nusra continua.

Nosso avião chega à base militar às oito da manhã. Nesse momento, todo o pessoal da unidade, completamente fardado, já se encontra no campo de treinamento para iniciar o plantão de combate e executar tarefas no ar e em terra.

As únicas exceções são os soldados e oficiais, que continuam em serviço nos postos que assumiram ainda no dia anterior, onde aguardam a troca de turno.

A aviação russa na atualidade

Enquanto os jornalistas participam de um "briefing" sobre o que é ou não permitido, os militares preparam os caças e os bombardeiros para a decolagem.

Diante dos meus olhos, os soldados carregam duas bombas de alto-explosivo de 500 kg em um Su-34S, avançado caça-bombardeiro russo.

O major-general Ígor Konachenkov, chefe da assessoria de imprensa do Ministério da Defesa da Rússia, conta à Gazeta Russa que algumas aeronaves da Aviação de seu país, a fim de executar missões de combate, estão sendo enviadas à região das cidades de Raqqa e Arak, assim como Deir ez-Zour, que encontra-se sob bloqueio dos terroristas.

"Nos subúrbios de Deir ez-Zour estão acontecendo combates pesados e os habitantes estão completamente isolados do resto do mundo. A cada 10 dias, aeronaves da aviação de transporte militar lançam cargas em Deir ez-Zour com ajuda humanitária para a população. A situação na cidade é muito difícil", diz Konachenkov.

As tropas russas e sírias também entregam ajuda humanitária aos habitantes da cidade de Aleppo, maior cidade do país e que está sitiada.

As forças do governo Bashar conseguiram liberar uma das rotas terrestres que estava em poder dos guerrilheiros e agora fornecem regularmente produtos de primeira necessidade aos moradores.

"Na semana passada os terroristas tentaram interromper nossas entregas e atacaram o comboio. Mas conseguimos impedir o ataque e manter a rota sob controle", acrescenta Konachenkov.

Ele afirma que as Forças Aeroespaciais russas não estão promovendo ataques à região da cidade de Aleppo.

A vida na linha de frente

Partindo da base aérea de Hmeimim com o exército russo e as Forças Armadas da Síria, chegamos à aldeia de Kawkab ( que significa "planeta" em árabe e é um distrito da cidade de Hama), localizada a dez quilômetros da linha de frente.

No dia anterior, a maior parte dos guerrilheiros do grupo Jabhat al-Nusra foi expulsa desse assentamento. Pequenos agrupamentos remanescentes da facção acabaram se rendendo e jurando lealdade ao atual governo da Síria.

As casas e os muros estão crivados de rajadas de tiros de fuzis de assalto e metralhadoras. Em algumas paredes, são visíveis perfurações que as atravessam por completo, ocasionadas por disparos de armas de 122 mm.

Apesar de todos os horrores da guerra, da falta de água e de eletricidade, a alegria reina no local. Após a aldeia ter sido libertada dos terroristas, os moradores retornam a suas casas.

Diante dos nossos olhos, os decanos da aldeia assinam um acordo de lealdade ao governo legítimo, enquanto os combatentes das ramificações do grupo Jabhat al-Nusra depõem as armas, sob escolta de soldados sírios.

De acordo com relato de um dos oficiais sírios à Gazeta Russa, os guerrilheiros que não tenham cometido crimes graves podem voltar à vida normal: começar a cultivar o solo, reconstruir suas casas e se reunir com suas famílias.

Segundo ele, quando os militantes do Jabhat al-Nusra  chegaram a essa aldeia, a maioria dos moradores não teve escolha - ou passava a integrar as fileiras dos guerrilheiros ou era morta.

A situação é generalizada, permeia todo o território do país, desintegrado pela guerra civil. Por isso, o governo passou a permitir que parte dos ex-guerrilheiros recomeçasse a vida.

Cessar-fogo em números

Desde 27 de fevereiro, 62 grupos de guerrilheiros já aderiram ao regime de cessar-fogo, totalizando mais de 7.000 pessoas. Esses números resultam do trabalho dos oficiais do Centro de Conciliação da Federação Russa na Síria que, ao longo dos últimos 45 dias, conseguiram trazer à mesa de negociações decanos de 90 assentamentos localizados no território da Síria.

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