Moscou e Washington acordam cessar-fogo em Aleppo

Uma trégua foi estabelecida na Síria ainda em 27 de fevereiro, mas nos arredores de Aleppo as batalhas continuaram.

Uma trégua foi estabelecida na Síria ainda em 27 de fevereiro, mas nos arredores de Aleppo as batalhas continuaram.

Reuters
Maior cidade da Síria esteve sob fogo intenso de radicais islâmicos, rebeldes e exército na última semana. Cessar-fogo deve durar pelo menos 48 horas.

Em conformidade com o acordado entre as partes russa e americana, um "regime de silêncio" entrou em vigor na cidade síria de Aleppo nesta quinta-feira (5). De acordo com informações recebidas de dentro da cidade, o local agora está relativamente calmo.

Uma trégua foi estabelecida na Síria ainda em 27 de fevereiro, mas nos arredores de Aleppo as batalhas continuaram. O prosseguimento da luta em Damasco foi justificado pela necessidade de oposição aos islamistas.

Na região, no norte da Síria, há posições fortes tomadas pelos jihadistas, sobretudo do grupo Jabhat al-Nusra, aos quais o cessar-fogo não se estendeu.

Os opositores do governo Bashar e países do Ocidente também acusam o líder sírio de usar suas forças contra a oposição laica.

O representante permanente da Rússia na ONU, Vitáli Tchúrkin, explica que o "regime de silêncio" foi acordado ainda em 3 de maio, mas frustrado pela oposição que atacou com foguetes e morteiros bairros da cidade controlados pelo governo.

Aleppo é uma cidade dividida, já há alguns anos, entre as partes beligerantes. Os bairros da zona oeste estão sob o controle do governo, enquanto o resto se divide entre os rebeldes e jihadistas.

Moscou e Damasco argumentam que as posições de opositores e combatentes do Al-Nusra estão tão entrelaçadas que é impossível atacar apenas os radicais.

Posições trocadas 

O cientista político especializado em Oriente Médio Serguêi Demidenko explica que as localidades dominadas pelos participantes do conflito em Aleppo estão realmente tão emaranhadas que não é possível saber quem está onde.

Estão ali os soldados do governo, os principais grupos de radicais islâmicos e oposicionistas, mas também formações de diversos grupos étnicos e religiosos.

Além disso, todos os atraídos para o conflito teriam seus esquemas de ação, e raramente coordenariam suas atividades com outros grupos.

Isso tornaria impossível a manutenção de um cessar-fogo em Aleppo. Além disso, segundo ele, as posições da oposição laica e moderada do Exército Livre seriam fracas em Aleppo, assim como na Síria em geral. 

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