Campanha russa na Síria custou US$ 480 mi, revela Pútin

Pútin: “Gastos são justificáveis para não se pagar um preço mais alto no futuro”

Pútin: “Gastos são justificáveis para não se pagar um preço mais alto no futuro”

Aleksêi Nikolski/TASS
Recursos usados em operação foram redirecionados de verba do Ministério da Defesa para treinamento militar. Em avaliação do papel da Rússia no conflito, presidente declarou que país criou condições de negociação e “abriu caminho para a paz”.

A campanha militar da Rússia na Síria consumiu 33 bilhões de rublos (em torno de US$ 480 milhões) do orçamento do Ministério da Defesa para treinamentos militares, anunciou nesta quinta-feira (17) o presidente russo Vladímir Pútin, durante um cerimonial das Forças Aeroespaciais da Rússia, no Kremlin de Moscou.

“A operação militar na Síria exigiu, é claro, certos gastos, mas a maior parte veio de recursos do Ministério da Defesa – cerca de 33 bilhões de rublos. [Este montante] foi incluído no orçamento do ministério para 2015 destinado à realização de simulações e treinamentos militares. Nós apenas redirecionamos essas verbas para dar suporte ao grupo na Síria”, disse.

“Ninguém inventou uma maneira mais eficaz de aperfeiçoar sua habilidades militares do que em ações de combate reais. Nesse sentido, é melhor que os recursos militares sejam usados e gastos em ação do que em treinamentos”, acrescentou o presidente.

“Esta experiência vai nos ajudar a fazer os ajustes necessários, aumentar a eficiência e confiabilidade do equipamento militar, desenvolver armas de nova geração, melhorar as Forças Armadas russas e elevar suas capacidades de combate”, completou.

Ainda segundo Pútin, gastos adicionais serão necessários após a operação na Síria, mas eles são justificáveis “para não se pagar um preço mais alto no futuro”.

“As tropas russas que permanecem na Síria são suficientes para atingir os objetivos definidos para elas. Continuaremos prestando assistência ao Exército sírio e às autoridades no combate ao chamado Estado Islâmico, Frente al-Nusra e outros grupos terroristas designados como tal pelo Conselho de Segurança da ONU”, disse.

Caminho para paz

A retirada do contingente militar russo havia sido acordada com o presidente sírio Bashar al-Assad com antecedência, confirmou Pútin.

“Gostaria de mencionar a posição do presidente Bashar al-Assad. Vemos sua contenção, sua aspiração sincera pela paz, e seu preparo para o compromisso e o diálogo”, declarou o presidente russo.

Segundo Pútin, a Rússia identificou os objetivos da operação desde o início – o apoio à luta legítima do Exército sírio contra grupos terroristas – e criou condições para o processo de negociação na Síria, “abrindo um caminho para a paz."

“Conseguimos estabelecer uma cooperação construtiva e positiva com os EUA e uma série de outros países, com as forças de oposição ​​dentro da Síria, que realmente querem cessar a guerra e encontrar a única solução política possível para a crise.”

Durante o pronunciamento, Pútin concedeu prêmios estatais para 17 militares russos que participaram da operação antiterrorista na Síria. Quatro oficiais receberam ainda o título de Heróis da Rússia.

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