Relatório vazado da Otan elogia ‘eficiência’ militar russa

Base aérea russa de Hmeymim, na Síria, recebeu reforço para checar cumprimento de cessar-fogo

Base aérea russa de Hmeymim, na Síria, recebeu reforço para checar cumprimento de cessar-fogo

Dmítri Vinogradov/RIA Nôvosti
Suposto documento secreto que analisa atuação de tropas aéreas na Síria ganhou destaque na imprensa russa. Informação foi vazada por publicação alemã.

Um documento da Otan que reconhece a “eficiência” e “profissionalismo” das forças aeroespaciais da Rússia na Síria repercutiu na imprensa russa, após a revista alemã “Focus” divulgar a informação alegadamente obtida na segunda-feira (7).

O documento cita que os oficiais da aliança estariam preocupados com a capacidade demonstrada das Forças Aeroespaciais russas em operação na Síria. “Quarenta jatos russos fazem até 75 missões por 24 horas, todos os dias realizando ataques contra o EI [Estado Islâmico]”, diz a fonte alemã, citada pelo jornal russo “Kommersant”.

Tecnologia mais inteligência

Comparado ao contingente da Otan na Síria, o número de aviões de guerra russos que operam no país é insignificante. Embora a aliança ocidental mantenha 180 jatos na região, atinge apenas 20 alvos por dia, de acordo com o “Kommersant”.

O número de ataques aéreos da Otan equivale a uma pequena fração dos bombardeios russos, apesar da superioridade quantitativa que a Aliança tem sobre a Rússia na Síria, segundo o relatório vazado.

A superioridade tecnológica de jatos russos e inteligência precisa são citados como razões para a discrepância. “Moscou enviou 4 caças Su-35 que [tecnologicamente] superam a maioria dos aviões produzidos no Ocidente”, publicou o jornal “Vzgliad”.

A frequência de saída de aviões russos é também descrita como sendo maior do que a da Otan.

Alguns veículos russos destacaram ainda que parte da eficácia se deve ao trabalho de inteligência conjunto entre Rússia e Síria. “Para se coordenar militarmente, Moscou usa informações obtidas pelas forças de inteligência aérea sírias e dados coletados por serviços secretos russos sobre alvos estrategicamente importantes”, lê-se no Vzgliad em referência ao documento da Otan.

A revista alemã “Focus”, que publicou o relatório secreto em primeira mão, não cita os supostos bombardeios a locais com civis, incluindo hospitais, pelas forças aeroespaciais russas. Ainda não se sabe se o documento apresenta tais informações.

Reforço da paz

Na semana passada, a Rússia transferiu sistemas militares adicionais à Síria para monitorar o regime de cessar-fogo.

“Nos últimos três dias, o Ministério da Defesa russo (...) alocou três complexos de veículos aéreos não tripulados (UAV) e duas estações de radar na base aérea de Hmeymim (...) para detectar o uso de artilharia por grupos terroristas”, declarou o Ministério da Defesa russo, citado pela agência TASS.

Além dos UAVs e de um sistema de satélites, o contingente militar russo na Síria recebe inteligência adicional da força aérea de Assad.

Washington também demonstrou intenção de reforçar o seu contingente no país. Os EUA substituíram as aeronaves B-1 Lancers, em operação contra alvos no Iraque e na Síria, por um número não revelado de bombardeiros B-52, que têm maior alcance maior e podem sobrevoar o campo de batalha por até 10 horas.

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