Apesar de sucesso tático na Síria, recursos são insuficientes

Bombardeiros posicionados na base aérea russa de Hmeimim, na Síria

Bombardeiros posicionados na base aérea russa de Hmeimim, na Síria

Aleksandr Elistratov/TASS
Especialistas avaliam os objetivos e resultados de operação russa no país.

A operação russa na Síria, iniciada em setembro de 2015, demonstra resultados positivos, mas a intensidade das ações militares é insuficiente para causar sérios danos ao Estado Islâmico (EI), dizem observadores russos.

“As ações das Forças Aeroespaciais russas na Síria são eficazes, porém, devido ao número reduzido de militares e equipamentos, foram alcançados apenas resultados táticos”, afirma o vice-diretor da Academia dos Problemas Geopolíticos do Estado-Maior, Konstantin Sivkov.

Atualmente, estão em operação na Síria 46 aviões, 24 helicópteros e 25 bombardeiros estratégicos russos. Somado a isso, navios de guerra da Marinha russa lançam mísseis contra alvos terrestres a partir do mar Cáspio.

Para realizar um “ataque mortal”, segundo Sivkov, seria preciso, no entanto, aumentar o número de veículos militares na região de 95 para até 200.

As atividades militares russas na Síria foram intensificadas após a confirmação oficial do atentado terrorista a bordo de avião A321, em novembro passado. O Ministério da Defesa russo então dobrou a intensidade dos bombardeios e passou a empregar mísseis de cruzeiro e enviar bombardeiros estratégicos de longo alcance para a região.

Além de aumentar a frota áerea, o comando militar russo decidiu ainda utilizar na Síria sistemas de defesa antiaérea Pantsir-S1, Buk M2 e S-400 para proteger suas bases. 

“O objetivo desses sistemas é assustar os terroristas que utilizam aviões civis”, diz o editor-chefe da revista “Vestnik PVO”, Said Aminov, negando qualquer ameaça aos aviões da aliança ocidental em operação na Síria.

Perspectivas

O especialista militar do Conselho da Rússia para Assuntos Internacionais, Aleksandr Ermakov, acredita, porém, que o apoio aéreo russo permitiu ao Exército sírio lançar uma ofensiva nos territórios tomados pelo EI.

“Embora a ofensiva se desenvolva de forma relativamente lenta, o Exército local está conseguindo reconquistar novos territórios”, aponta Ermakov.

No entanto, o cientista político Dmítri Iestáfiev vê como objetivo principal da operação militar russa na Síria não o apoio de fogo direto às tropas sírias, mas sim proporcionar a Assad uma pausa para reformar o Exército e garantir preparação dos novos soldados.

“Seria bom reforçar a presença militar russa na região, mas é uma decisão política", diz.

Uma operação conjunta com as forças aéreas e terrestres do Iraque poderia também acelerar os sucessos militares na região, garante Sivkov.

“É preciso atacar os alvos do Estado Islâmico não só na Síria, mas também no Iraque para impedir a criação de zonas controladas pelo grupo”, diz o observador.

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