Pútin cogita possibilidade de conceder asilo a Assad

Mesmo com apoio militar, Pútin reconhece que Assad cometeu “um monte de erros" no conflito

Mesmo com apoio militar, Pútin reconhece que Assad cometeu “um monte de erros" no conflito

kremlin.ru
Apesar de declaração, presidente considera ‘prematuro’ discutir o assunto e reforça necessidade de resolução do conflito por vias democráticas.

A concessão de asilo ao líder sírio Bashar al-Assad na Rússia seria muito mais fácil do que abrigar o ex-agente da inteligência norte-americana Edward Snowden, mas trata-se de uma questão prematura, declarou o presidente Vladimir Pútin em entrevista ao jornal alemão “Bild”.

“Você sabe, é prematuro discutir isso”, disse Pútin, ao ser questionado sobre a possibilidade de conceder asilo a Assad, caso o líder sírio tivesse que deixar o país.

“Nós demos asilo a Snowden e isso foi mais difícil do que seria oferecer refúgio a Assad”, acrescentou o presidente russo, segundo a transcrição da segunda parte da entrevista publicada na terça-feira (12) no site do Kremlin. 

O ex-funcionário da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) Edward Snowden recebeu asilo do governo russo em 2013, após divulgar documentos sobre um programa secreto de vigilância em massa desenvolvido pelos Estados Unidos.

Segundo Pútin, antes de discutir a possibilidade de abrigar Assad, é necessário, porém, que a população síria expresse suas vontades por meio de um processo eleitoral. “Se isso for feito de forma democrática, talvez ele não tenha que ir a lugar algum. E nem importará se ele continuar sendo o presidente.”

Embora a atual campanha militar russa na Síria tenha por princípio a defesa da legitimidade do governo de Damasco, Pútin reconheceu que Assad cometeu “um monte de erros" durante o curso do conflito. “No entanto, a situação não teria escalado tão rapidamente sem o dinheiro, armas e combatentes dos agentes externos”, disse.

Para o presidente russo, as divergências entre Arábia Saudita e Irã, que vieram à tona na semana passada, expõem um conflito sectário presente em todo o Oriente Médio e dificultam ainda mais as chances de se alcançar a paz na Síria.

“Quanto a isso levar a um grande confronto regional, eu não sei. Prefiro não falar ou nem mesmo pensar nesses termos”, afirmou.

 

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