Novas imagens contradizem acusação de ataque a hospital

Konachénkov em declaração à imprensa na segunda-feira (2)

Konachénkov em declaração à imprensa na segunda-feira (2)

Ria Nôvosti/Aleksandr Vilf
O Ministério da Defesa russo negou as acusações de bombardeio a hospital na Síria e apresentou imagens aéreas que, segundo militares, comprovam que área não foi atingida.

Imagens de 2014 que registram a construção de um hospital em Sarmin, supostamente bombardeado por forças russas em 20 de outubro, e fotos dessa mesma área tiradas pela aviação russa no último dia 31 demonstram que o hospital em questão não foi atacado, segundo o assessor de imprensa do Ministério da Defesa, Igor Konachénkov.

“Como vocês podem ver, o edifício [do hospital] está intacto. Essas são imagens da filmagem feita por nós em 31 de outubro. (...) Todos os edifícios e instalações mais reconhecíveis que existiam em 2014 estão lá hoje”, declarou Konachénkov a jornalistas, no início da semana.

“Na semana passada, a imprensa divulgou notícias sobre o bombardeio de hospitais em seis cidades da Síria. Após verificarmos a situação, descobriu-se que só uma dessas cidades, em Sarmin, no noroeste da Síria, tem hospital”, acrescentou o assessor da pasta da Defesa.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSHD) divulgou, em 21 de outubro, que ao menos 13 pessoas haviam morrido em um bombardeio contra um hospital de Sarmin no dia anterior.

Um comunicado publicado no site da Sociedade Médica Síria-norte-americana (SAMS, em inglês) confirma, inclusive, a morte de dois funcionários durante os “ataques aéreos russos” e apresenta fotografias do local bombardeado.

Procurada pela Gazeta Russa, a SAMS não respondeu às críticas do Ministério da Defesa russo sobre a autenticidade das imagens até a publicação desta reportagem.

A cara do OSHD

Em declaração no dia 29 de outubro, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, John Kirby, também afirmou que aviões russos teriam atacado o hospital de Sarmin.

Ao ser questionado se poderia apresentar evidências do ataque, Kirby respondeu, porém, que não tinha intenção de partilhar informações operacionais e dados da inteligência. Segundo ele, informações de ONGs sírias e reportagens tinham servido de base para chegar às conclusões.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo comentou os ataques ao hospital um dia depois de a notícia ser divulgada pelo OSHD.

“Para muitos meios de comunicação, essa estrutura é vista como uma fonte de informação comprovada e confiável”, disse a porta-voz da pasta, Maria Zakhárova, acrescentando que diversos relatórios fornecidos pelo observatório já haviam sido desmentidos.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal britânico “The Guardian”, o emigrante sírio Rami Abdulrahman, estaria por trás do OSHD, que desde o início da guerra civil na Síria é uma das principais fontes de informação sobre as ações do regime do presidente Bashar al-Assad.

Abdulrahman, que vive há 15 anos no Reino Unido, comandaria o OSHD a partir de seu apartamento em Coventry, ao mesmo tempo que administra uma loja de roupas com a mulher.

 

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