Moscou comenta possíveis sanções europeias a Pútin

Proposta foi assinada por 57 deputados do Parlamento Europeu para pressionar país a liberar piloto ucraniana que atirou em jornalistas

Proposta foi assinada por 57 deputados do Parlamento Europeu para pressionar país a liberar piloto ucraniana que atirou em jornalistas

RIA Novosti
Kremlin classifica como inadmissível iniciativa de deputados europeus para interferir no caso da piloto ucraniana Nadejda Sávtchenko, presa na Rússia.

O Kremlin anunciou nesta quarta-feira (9) ser inadmissível a iniciativa de deputados europeus para interferir no caso da piloto ucraniana Nadejda Sávtchenko, presa na Rússia após o assassinato de jornalistas russos.

Um grupo de 57 deputados do Parlamento Europeu assinou, nesta quarta-feira, um documento pedindo que se introduzam sanções contra o presidente russo Vladímir Pútin e outras 28 pessoas devido ao caso de Sávtchenko, que consideram ser "ilegal".

Para os deputados, as sanções pessoais devem incluir o impedimento de entrar na União Europeia, o congelamento de ativos e o confisco de bens no território da UE.

"Não podemos concordar com essa tentativa de interferência nos processos jurídicos em curso em nosso país e em total conformidade com a legislação vigente na Rússia, o que se aplica, sem dúvidas, ao processo contra Sávtchenko. Qualquer tipo de intervenção aqui é inadmissível. Existem determinados procedimentos sendo cumpridos atualmente. E, devido ao fato de que o processo jurídico está correndo, consideramos que qualquer comentário sobre isso é intolerável e inadmissível", disse o porta-voz do presidente russo, Dmítri Peskov.

Ele ainda disse não saber se houveram propostas para troca de presos, quando perguntado por jornalistas.

Sancionados

De acordo com a "Radio Svoboda", o documento pede a sanção, entre outros, de deputados, do diretor do FSB (serviço de segurança que substituiu a KGB após os anos 1990), Aleksandr Bôrtinkov, do chefe do comitê da Duma de Estado (câmara dos deputados na Rússia) para questões internacional, Aleksêi Puchkov, e da chefia do Comitê Investigativo da Rússia, assim como do líder da autoproclamada "República Popular de Lugansk", Ígor Plotnítski - acusado, em 2014, pela procuradoria da Ucrânia de sequestrar Sávtchenko.

O assassinato

A piloto ucraniana Nadejda Sávtchenko é acusada na Rússia de assassinar, em junho de 2014, dois jornalistas da companhia estatal russa de TV e rádio VGTRK, Ígor Korneliuk e Anton Volochin.

Segundo o Comitê Investigativo da Rússia, Sávtchenko abriu fogo no batalhão de voluntários "Aidar", matando os dois profissionais de imprensa. Em seguida, ela teria transposto a fronteira ilegalmente disfarçada de refugiada.

Ela, porém, diz ter sido sequestrada de território ucraniano.

O procurador russo pediu a condenação da ucraniana a 23 anos de prisão. Ela anunciou, anteriormente, que não irá apelar da decisão russa.

Nesta quarta-feira, a piloto se apresentou na última sessão no tribunal e prometeu continuar a greve de fome anunciada em 3 de março. Sua sentença será proferida entre 21 e 22 de março.

Com material do jornal RBC.

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