A comida de rua de Moscou (100 anos atrás!)

Reprodução da pintura de Borís Kustodiev “Feira”, de 1908. Galeria Estatal Tretiakov.

Reprodução da pintura de Borís Kustodiev “Feira”, de 1908. Galeria Estatal Tretiakov.

Yury Artamonov/RIA Novosti
A comida de rua sempre foi uma parte interessante da vida em Moscou. Há 100 anos, uma voltinha no mercado ou na cidade não levava tanto tempo, e havia uma porção de opções para quem queria matar a fome rápido. Afinal, não havia McDonalds naquele tempo. Então o que as pessoas comiam nas ruas da Rússia pré-revolucionária?

Bliní (panquecas russas)

Quem recusaria um blini quente e corado com recheio doce em um dia frio? Ninguém! é por isso que este é o principal tipo de comida de rua oferecido pelos ambulantes.

Estes vendedores normalmente podiam ser encontrados nos lugares mais abarrotados da cidade, como Okhotni Riad, Soliánka e próximos às bânias ou estações de trem.

Os preços eram os mesmos por todo lado. Também era possível matar a fome nas tavernas.

Em sua coleção de histórias sobre Moscou, Vladímir Guiliarovski escreveu que um lugar popular para se servir os blini era a sala inferior da Taverna Nizok. Os bliní lá eram confeccionados de manhã à noite e preparados sob os olhos dos consumidores.

Kalátchs e barânkas (pãezinhos e baguetes)

O kalátch é o mais antigo tipo de pão branco da Rússia. Em Moscou, o kalátch parecia um halter, porque sua parte mais baixa era redonda e macia, enquanto a superior parecia uma alça de massa.

As pessoas seguravam esta alça enquanto comiam o kalátch, mas geralmente não a comiam, jogando-a fora ou doando aos pobres. A razão é que nem sempre era possível lavar as mãos antes de comer um kalátch, então as pessoas seguravam pela alça com a mão suja e mantinham o restante limpo enquanto ingeriam.

Os kalátchs eram vendidos em mercados ou tabuleiros. Normalmente, eram vendidos congelados para se manterem frescos por mais tempo. Quanto um cliente comprava um kalátch, ele era descongelado com uma toalha quente e, graças às características da massa, o gosto não era muito diferente de um pão assado fresco.

Já as barânkas apareceram depois dos kalátchs. As primeiras menções a essas aparecem em um decreto de 1725 de Pedro, o Grande, estabelecendo seu preço. A produção em massa em fábricas começou apenas na segunda metade do século 19.

A barânka era um anel de massa cozido em água e servido como um tipo de sobremesa russa. Elas eram então assada, às dezenas, presas por uma linha.

Esta iguaria gozava de grande popularidade especialmente nas feiras e durante feriados nacionais.

Gretchniviks

Os grechniviks tinham lugar especial no mundo da comida de rua. Até Guiliaróvski escreveu sobre como eles eram vendidos em Okhôtni Riád.

Eles também eram popular durante a Quaresma, quando os ortodoxos deixavam de comer gordura e doces.

O gretchnivik parece uma omelete feita de mingau de trigo-sarraceno e é bem fácil de se preparar. O mingau deve ser bem fervido, colocado em uma frigideira e resfriado.

Então, ovos levemente batidos devem ser despejados sobre o gretchnivik, que deve então ser frito de ambos os lados com óleo vegetal.

Ambulantes vendiam o gretchnivik direto de tabuleiros e os serviam com óleo vegetal derretido.

Eles eram muito populares entre cocheiros esperando seus clientes seguintes.

Pirojkí (tortinhas)

Pirojkí quentes eram servidos principalmente como petiscos para acompanhar o kvass. Mas, sendo o tipo mais barato de comida de rua, eles também eram bastante populares entre estudantes.

Os salgadeiros que faziam os pirojkí vagavam vendendo-os em uma caixa coberta com um travesseirinho especial que os mantinha quentes.

Em Moscou, eles eram preparados com todos os tipos de recheios: geleia, batatas, ovos e até fígado.

Os pirojkí com geleia eram vendidos por cinco copeques cada, e os com carne custavam o dobro.

Gorôkhovi kissél (gelatina de ervilha)

A gelatina de ervilha era outro tipo de comida da Quaresma, e até mais fácil de se preparar que os gretchniviks.

Uma farinha de ervilha era misturada a água fervente, deixada no forno por 15 a 20 minutos e despejada em uma forma para resfriar.

Quando pronta, ela podia ser cortada em pedaços. Ela mantinha a forma, mas não era muito atraente em termos de apresentação: uma gelatina de um verde amarelado cortada em fatias e boiando em manteiga.

Mesmo assim, os moscovitas a amavam! Em dias especialmente restritivos da Quaresma, um tipo mais modesto de gelatina feito de mingau de aveia aparecia. Ele era preparado da mesma forma, mas usando farinha de aveia, e era servido sem manteiga.

Schi (sopa de repolho) 

A comida de rua mais cara daqueles tempos era o schi, sopa tradicional russa feita de repolho, batatas, presunto e um rico caldo de carne e servida com creme azedo.

Um pote custava 10 copeques de prata, e os vendedores no mercado podiam encomendá-la sem nem sair de seus estandes. Os ambulantes, saíam voando pelo mercado e traziam potes de sopa quente aos clientes, voltando um pouco mais tarde para recolher os recipientes e limpá-los com um trapo.

Sbiten

Os invernos russos são conhecidos por sua rispidez, mas há sempre muitos feriados nacionais e comemorações nessa época que levam as pessoas às ruas.

Mas ninguém quer congelar do lado de fora, então bebidas quentes sempre são bem-vindas. O sbiten é um tipo de bebida tradicional russa feita de mel. As pessoas que a vendiam eram chamadas “sbitenstchiks”.

Em Moscou, eles eram encontrados principalmente próximo aos bairros de Kitái-górod e Okhôtni Riád, que tinham os mercados mais pulsantes.

A bebida geralmente era despejada em contêineres com gargalos estreitos para evitar que a bebida resfriasse rápido demais.

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