7 cenários para o futuro geopolítico de Moscou

Relações com China e EUA moldam panorama russo

Relações com China e EUA moldam panorama russo

Reuters
A Rússia pode se tornar um Estado fraco e descentralizado na periferia da economia americana ou chinesa. Ou também dar um salto tecnológico e, em 2025, assumir um lugar respeitado na nova ordem mundial. O acadêmico Serguêi Glaziev descreve sete cenários possíveis para o desenvolvimento da Rússia na economia global.

A Rússia não pode seguir o fluxo enquanto as duas maiores potências mundiais – os EUA e a China – estiverem envolvidas em uma amarga luta pela supremacia global.

“Nossa política econômica é passiva, e, por não termos uma estratégia própria, entregamos o desenvolvimento do nosso espaço econômico a estrangeiros”, afirma Glaziev. “Eles dominam os mercados financeiros e os manipulam, e também dominam os mercados de equipamentos e bens de consumo duráveis”, completa.

Assim como no passado, há risco de que a política passiva transforme a Rússia novamente em uma “moeda de troca” ou em um “alvo de agressão de potências concorrentes”, sugere o acadêmico.

Confira abaixo os 7 cenários possíveis traçados por Glaziev para a posição geopolítica e econômica da Rússia ao longo da próxima década:

1. Ménage à trois: EUA, Rússia e China

Este cenário é o mais positivo, mas também o menos provável: os EUA abandonarão a atual postura agressiva e se unirão a China e Rússia em uma parceria estratégica.

O movimento resultaria no levantamento das sanções contra Moscou e “em um compromisso conjunto das grandes potências pela manutenção da paz durante o processo de mudanças estruturais globais”, diz Glaziev.

2. Isolamento e intervenção

Em vez da atual postura de confrontação, a liderança dos Estados Unidos poderá retornar à política anterior de simbiose econômica com a China.

No entanto, se o poder em Pequim se deslocar para forças pró-americanas, a Rússia corre o risco de ficar em isolamento completo, perdendo tanto reservas cambiais quanto mercados externos. Isso promoveria um declínio significativo nos padrões de vida no país e criaria uma ameaça real à integração eurasiática.

3. Isolamento e mobilização

“O potencial de pesquisa, produção, militar, técnico, natural, mineral, intelectual e espiritual da Rússia” permitirá que o país sobreviva e até mesmo prospere por meio de um plano de mobilização econômica. “Isso exigirá, entretanto, novos funcionários, tanto no governo quanto nos negócios”, adverte Glaziev.

4. Colonização americana

Diante das dificuldades econômicas, a política interna da Rússia pode se render, mais uma vez, às forças pró-americanas. Para que as sanções sejam suspensas, o Ocidente pressionará por concessões.

Campanha promocional da gigante americana Coca-Cola em Vladivostok, no Extremo Oriente russo Foto: APCampanha promocional da gigante americana Coca-Cola em Vladivostok, no Extremo Oriente russo Foto: AP

“Isso também fará com que Washington intensifique as agressões contra a Rússia, inclusive com a realização de uma ‘revolução colorida’ e o estabelecimento de um regime de fachada, como foi o caso em 1991 e 1993”, prevê o acadêmico.

Segundo Glaziev, o suposto novo regime iria então promover o desarmamento nuclear e a desintegração do antigo espaço soviético. “A economia da Rússia seria privatizada e tomada por multinacionais norte-americanas, enquanto a Ásia Central ficaria sob domínio chinês”, acrescenta.

5. Protetorado chinês

Se a Rússia não começar a planejar estrategicamente seu próprio desenvolvimento econômico, a tão falada “parceria estratégica com a China” consistirá na subordinação da economia russa aos interesses de Pequim.

“A China fará grandes investimentos para desenvolver os setores russos de petróleo, energia, agroindústria e transportes, mas as empresas do país estarão orientandas às necessidades do mercado chinês”, sugere o acadêmico.

“Enquanto isso, a indústria da defesa da Rússia será desenvolvida conforme os objetivos e interesses definidos pela Organização do Tratado de Segurança Coletiva e pela Organização para Cooperação de Xangai”, continua.

A matemática é simples: para contrapor o avanço do domínio norte-americano, a economia chinesa precisará da matéria-prima e da base energética da Rússia. Neste caso, a economia russa se tornaria “periferia da China”.

Sistema chinês de pagamento UnionPay se expande pela Rússia Foto: Vassíli Batanov/RIA NôvostiSistema chinês de pagamento UnionPay se expande pela Rússia Foto: Vassíli Batanov/RIA Nôvosti

6. Economia fraca e descentralizada

Neste cenário, é improvável que a economia da Rússia – e da União Eurasiática como um todo – resista ao cabo de guerra entre EUA e China pelos antigos e novos centros da economia global. A economia russa ficaria fraca e descentralizada, atendendo a diferentes segmentos do mercado global; isso criaria também pré-condições para uma desestabilização da situação política e transição rumo a ‘colonização americana’.

7. Crescimento do PIB de até 10%

A Rússia terá de fazer um esforço enorme para adotar uma estratégia de desenvolvimento avançado com base em novas tecnologias. A ideia é que União Eurasiática, incluindo a Rússia, acompanhe o crescimento chinês.

A relevância da União para a economia mundial só poderá aumentar caso haja maior integração e condições preferenciais para comércio e cooperação econômica entre os principais países da região. 

O primeiro desses acordos, no formato de uma zona de livre comércio, já foi assinado com o Vietnã. Se essa visão se concretizar, Glaziev acredita que a Rússia registraria um crescimento econômico na faixa de 10% ao ano.

Com o jornal on-line Gazeta.ru

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