Kremlin nega conexão entre ex-assessor de Trump e inteligência russa

Trump assessorado por equipe na Casa Branca durante conversa com Pútin, no último dia 28

Trump assessorado por equipe na Casa Branca durante conversa com Pútin, no último dia 28

Reuters
Artigo do “New York Times” com acusação não tem fundamento, segundo porta-voz da presidência russa. Em seu Twitter, presidente americano também qualificou denúncia como ‘absurdo sem sentido’ e criticou suposto vazamento por agências nacionais.

As reportagens que surgiram na imprensa americana sobre supostos contatos entre membros da equipe eleitoral de Donald Trump e oficiais de inteligência russos são infundadas, disse o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov, nesta quarta-feira (15).

“Não vamos acreditar no que os meios de comunicação dizem, porque hoje em dia é muito difícil diferenciar as notícias verdadeiras das falsas”, disse Peskov, ao ser questionado se tais contatos haviam acontecido.

Segundo ele, os meios de comunicação citaram “cinco fontes diferentes, mas nenhuma delas é identificada, o que é simplesmente ridículo”.

“Não vamos confiar em fontes não identificadas”, disse Peskov. “Essas reportagens são absolutamente infundadas, não se baseiam em fato algum.”

Ao responder a uma pergunta sobre os contatos entre representantes dos dois países, Peskov ressaltou que “os contatos de trabalho são mantidos”.

“Os representantes da embaixada dos EUA na Rússia se comunicam com autoridades russas, se reúnem com os oficiais da chancelaria, e os diplomatas dos EUA também se reúnem com representantes das regiões russas, eles também viajam pelo país”, disse o porta-voz, acrescentando não haver “nada de incomum nisso”.

Em sua conta no Twitter, Trump disse que as tentativas de fazer alvoroço com os supostos laços entre a Rússia e o ex- assessor de Segurança Nacional do presidente dos EUA, Michael Flynn, têm por intenção encobrir os erros de Hillary Clinton.

“Esse absurdo sem sentido de uma conexão russa é apenas uma tentativa de encobrir os muitos erros cometidos na campanha perdedora de Hillary Clinton”, escreveu.

Segundo Trump, a informação sobre a conversa de Flynn com o embaixador russo para os EUA foi fornecida à mídia pela comunidade de inteligência do país.


“A informação está sendo ilegalmente fornecida ao fracassado ‘New York Times’ e ao ‘Washington Post’ pela comunidade de inteligência (NSA e FBI?). Assim como a Rússia”, declarou o presidente em outra publicação.

Na segunda-feira (13), Trump acatou a demissão do assessor de Segurança Nacional Michael Flynn, que reconheceu ter inadvertidamente fornecido ao vice-presidente Mike Pence informações “incompletas” sobre seus contatos com o embaixador russo Serguêi Kisliak, realizados um mês antes da posse de Trump.

New York Times e suas fontes

Na terça-feira (14), o “New York Times” publicou um artigo em seu site afirmando que “os membros da campanha presidencial de 2016 de Donald Trump e outros associados fizeram diversos contatos com altos oficiais de inteligência russos no ano anterior à eleição, de acordo com quatro atuais e ex-funcionários americanos”.

O jornal acrescentou que três dos funcionários disseram que “os serviços de reforço à lei e agências de inteligência americanas interceptaram as comunicações ao mesmo tempo que descobriram evidências de que a Rússia estava tentando interferir nas eleições presidenciais invadindo [os servidores da] Convenção Nacional Democrata”.

O “New York Times” diz ainda que “todos os atuais e ex-funcionários falaram sob a condição de anonimato porque a investigação é secreta”.

A assessoria de imprensa do Serviço de Inteligência Estrangeira russo disse que o órgão não comentaria “insinuações sem fundamento”.

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