Chanceler russo dispara críticas contra governo Obama em coletiva

Segundo Lavrov, EUA e aliados usam terroristas para derrubar líder sírio

Segundo Lavrov, EUA e aliados usam terroristas para derrubar líder sírio

AP
Em Moscou, ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguêi Lavrov, rechaçou o recrutamento de diplomatas russos por Washington, as tentativas ocidentais de minar o processo de paz na Síria e as supostas acusações de invasão cibernética.

Os Estados Unidos intensificaram sua atividade de recrutamento contra diplomatas russos durante o segundo mandato presidencial de Barack Obama, disse o chanceler russo, Serguêi Lavrov, durante sua coletiva de imprensa anual nesta terça-feira (17).

“No que diz respeito a tentativas de recrutamento, essa atividade hostil cresceu ao longo dos últimos anos, sobretudo no segundo mandato de Obama”, disse Lavrov.

“Maria Zakhárova [porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo] já mencionou um caso em que um funcionário de nosso Consulado-Geral foi a um médico para pegar um medicamento já pago para Evguêni Primakov. Fazer uma tentativa de recrutamento em tal situação é de uma insolência profissional única, grande cinismo e falta de escrúpulos”, continuou o ministro russo.

Lavrov lembrou ainda de outro caso ocorrido em abril de 2016 envolvendo um ministro-conselheiro russo. “Outro diplomata sênior foi alvo de uma tentativa dos serviços secretos americanos de recrutá-lo como um agente. Dez mil dólares foram deixados em seu carro enquanto o diplomata estava ausente”, lembrou.

“Nosso escritório de contabilidade debitou o dinheiro, e foi usado em benefício do Estado russo”, disse acrescentou.

Ele também destacou que os diplomatas dos Estados Unidos agiram mais de uma vez disfarçados, incluindo homens vestidos de mulheres. “Tudo isso está gravado”, disse.

Apesar das críticas à postura de Washington durante o governo Obama, Lavrov demonstrou esperança de que a que a administração de Donald Trump não tente demonizar nem pontificar a Rússia.

“Nós entendemos que lidamos com pessoas que não estarão pontificando, mas tentarão entender os interesses de seus parceiros”, disse o ministro russo, ao comentar a declaração do futuro secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, de que os EUA devem ser claros sobre sua relação com a Rússia, que “impõe um risco, mas não é imprevisível ao avançar seus próprios interesses”.

Conflito dentro do conflito sírio

Os Estados Unidos quiseram usar os grupos terroristas Estado Islâmico (EI) e Frente al-Nusra para derrubar o presidente sírio Bashar al-Assad, ainda segundo declarações do ministro russo nesta terça.

“Há muitos exemplos mostrando que os americanos e seus aliados queriam sorrateiramente usar a Frente al-Nusra e o EI para enfraquecer e, enfim, derrubar o regime de Assad”, disse Lavrov, acrescentando que muitos oficiais dos EUA tentaram arruinar os acordos acerca da Síria desde o início.

“Por isso, eles foram bastante reservados na implementação de seu objetivo declarado de lutar contra o terrorismo”, acrescentou o diplomata russo.

Segundo ele, assim como a Al-Qaeda surgiu quando os norte-americanos apoiaram os mujahidin na década de 1980, o EI foi formado após a ocupação do Iraque em 2003.

Lavrov destacou ainda que Moscou têm pedido aos EUA e à Europa para evitar a interrupção do cessar-fogo sírio apenas para contrariar as partes que o negociaram.

“Aqueles países europeus que estão encalacrados no chamado Alto Comitê de Negociações agora enfrentam impasse, enquanto a Rússia e a Turquia negociaram acordos de cessar-fogo entre as tropas do governo sírio e a oposição armada”, disse Lavrov. “Esses acordos foram aprovados pelo Conselho de Segurança da ONU e precisam ser cumpridos”, completou.

Acusações de cibercrime “fabricadas”

Ainda segundo o diplomata russo, as acusações de ciberataques russos a países ocidentais são “evidências fabricadas”, e Moscou não provará nada sobre o assunto.

“Quanto às alegações de segurança cibernética, eu não vou provar a você que isso não é verdade. A bola está com o tribunal para provar isso”, disse Lavrov. “Vimos tentativas de preparar evidências, das quais os EUA e o Reino Unido estão agora tentando se distanciar, tentando desacreditar o novo governo dos EUA.”

O ministro ressaltou que, para o Kremlin, a cibersegurança internacional deveria ser uma preocupação de todos. “A Rússia sempre defendeu a criação de uma parceria sustentável para restaurar a ordem na luta contra o cibercrime”, disse Lavrov.

Segundo ele, aqueles que se recusam a cooperar com regras universais para restaurar a ordem no ciberespaço “acusam, sem fundamento, a Rússia de tomar o controle de quase todo o mundo por meio de suas ações”.

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