Naválni anuncia que concorrerá à presidência

Para especialista, Naválni não tem chances e só quer sair da categoria dos "blogueiros oposicionistas".

Para especialista, Naválni não tem chances e só quer sair da categoria dos "blogueiros oposicionistas".

Líder da oposição publicou programa eleitoral, em que afirma que retirará militares da Síria e da Ucrânia.

Nesta terça-feira (13), o líder oposicionista russo e fundador da Fundação de Combate à Corrupção, Aleksêi Naválini, anunciou que tem intenções de concorrer à presidência em março de 2018. O político também já lançou um site para a campanha presidencial sob o slogan: “Aleksêi Naválni: é hora de escolher”.

“A Rússia deve ser um país rico, livre e forte. Temos tudo que é necessário para isso: pessoas talentosas, recursos naturais. Irei às eleições com um programa para tornar a Rússia mais justa e moderna. Precisamos de uma conversa honesta, e não desse novo e falso espetáculo de televisão”, disse Naválni.

Sufrágio do candidato

O opositor ganhou novamente o direito de voto apenas em novembro, quando a Suprema Corte da Rússia anulou uma sentença contra ele por fraude em um caso que ficou conhecido como "Caso Kirovles".

Após o Tribunal Europeu dos Direitos Humano avaliar o julgamento de Naválni como “injusto”, porém, o caso foi reaberto  e voltou ao Tribunal Regional de Kirov.

Segundo o jurista Valéri Vânin, membro da Câmara dos Advogados, Naválni tem agora a presunção de inocência e poderá participar das eleições.

Fundos

O político já começou a recolher fundos para a campanha, segundo o gerente dessa, Leonid Volkov. Ele afirma que, em apenas em uma hora de campanha, a fundação do opositor recebeu mais de 130 doações, totalizando mais de 200 mil rublos (US$ 3,3 mil).

Naválni foi o primeiro dos possíveis candidatos a apresentar oficialmente seu programa político: terminar com a corrupção, estabelecer um imposto único, limitar os poderes das forças de segurança, realizar uma reforma jurídica, introduzir um regime de vistos com os países da Ásia Central - cujos cidadãos podem na Rússia sem visto atualmente - e finalizar as operações militares "na Síria e na Ucrânia".

Oficialmente, porém, o governo russo não reconhece o envio de tropas ao país vizinho.

Perguntado sobre qual sua reação quanto à declaração do oposicionista, o porta-voz de Pútin, Dmítri Peskov, respondeu: "Nenhuma".

E acrescentou: "Seu objetivo não é ganhar”.

Café com leite?

Em 2013, Naválni participou das eleições para a prefeitura de Moscou, e ficou em segundo lugar, com 27% dos votos. O prefeito eleito, Serguêi Sobiânin, recebeu 51% dos votos.

Após isso, a fundação de Naválni desenvolveu um formato para investigações de corrupção envolvendo altos funcionários do país. Apenas um dos vídeos da fundação, sobre a investigação de corrupção envolvendo a família do procurador-geral da Rússia, Iúri Tchaika, tem mais de 6 milhões de visualizações no YouTube.

Mas as perspectivas de Naválni dependerão da decisão do governo russo sobre o formato de toda a campanha presidencial, segundo o diretor do Centro de Estudos Políticos da Universidade de Finanças do Governo da Rússia, Pável Sálin.

"Mesmo se Naválni receber permissão para concorrer à presidência em março de 2018 e a máquina administrativa for gentil com ele, duvido que ele tenha chances de ganhar", disse Sálin.  

“Mas seu objetivo não é ganhar, ele quer sair da categoria de 'blogueiros oposicionistas' e se tornar um político federal, que será reconhecido pelas autoridades como um oponente em pé de igualdade”, completou.

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