"Não buscamos inimigos agora ou nunca", diz Pútin

Questões sociais permearam discurso do presidente mais que política externa neste ano.

Questões sociais permearam discurso do presidente mais que política externa neste ano.

Mikhail Klimentiev/RIA Nôvosti
Corrupção, amizades e censura foram algumas das questões colocadas por presidente em discurso anual a Conselho da Federação (Senado Russo).

Nesta quinta-feira (1), o presidente Vladímir Pútin fez seu discurso anual ao Conselho da Federação (Senado Russo). Neste ano, ele dedicou boa parte da fala à política social, e não à política externa, como em 2015. Mas Pútin também apoiou o crescimento econômico e a conciliação nas relações com o Ocidente. Veja em seguida alguns trechos:

Política externa

"Não buscamos agora ou nunca inimigos, precisamos de amigos. Não permitimos o estrangulamento de nossos interesses, vamos nos desenvolver de maneira independente, sem prescrições e sugestões de fora. Estamos prontos ao diálogo."

"Estamos abertos ao diálogo. Somos a favor da segurança e da possibilidade de desenvolvimento não apenas aos escolhidos, mas para todos os países e povos. Somos a favor do direito internacional."

"Estamos prontos para uma parceria com o novo governo norte-americano com base mutuamente vantajosa. Temos a responsabilidade comum pela defesa mundial."

"Neste ano, percebemos uma pressão externa grave. Isso aconteceu em tudo: o mito da agressão russa chegou até a nossos esportistas. Aliás, no ano que vem, estará pronto na Rússia um novo programa antidoping."

"Acusaram-nos de censura, agora eles mesmos praticam isso."

Economiaesanções

"Dois anos atrás, nos debatemos com as sanções. Mas o principal motivo do refreamento da economia está em nós."

"As sanções não durarão para sempre. Os consumidores também precisam de uma situação de concorrência no mercado, por isso é preciso se aproveitar da situação. [...] A Rússia já não pode se permitir a adiar o desenvolvimento 'para depois'."

"Hoje, as exportações de produtos agrícolas nos rendem mais que as exportações de armas. Esse setor da economia foi intitulado de 'melões negros', mas percebeu-se que não é bem assim. [...] Em 2015, vendíamos 16,2 bilhões em produtos agrícolas, e nesse ano será ainda mais."

"Um dos principais problemas é o aumento do protecionismo. É preciso lutar mais pela entrada em outros mercados."

O presidente exigiu que se trabalhasse em um plano de atuação "cuja realização permita já entre 2019 e 2020" tomar a dianteira mundial em velocidade de crescimento do PIB.

Censura

"Se alguém se considera mais avançado, mais intelectual, então que se refira com respeito a outras pessoas. Eu considero inadmissível a reação agressiva [...] a questões que gerou discussão na sociedade. Na cultura, na política, na imprensa, na polêmica sobre questões econômicas, ninguém pode proibir de se falar abertamente sua posição."

 

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