Trump não melhorará relações EUA-Rússia, diz politólogo

Mesmo com vitória de Trump, não haveria espaço para manobra no contexto dos EUA

Mesmo com vitória de Trump, não haveria espaço para manobra no contexto dos EUA

AP
Professor da Universidade de Chicago refuta possibilidade de confrontos diretos entre países, mas descarta mudanças independentemente de quem vencer eleições nos EUA.

Donald Trump não vai alterar substancialmente a política dos EUA em relação à Rússia se ele ganhar a presidência, segundo John Mearsheimer, cientista político e professor da Universidade de Chicago.

“Trump [se vencer] não iria parecer muito diferente de Hillary”, declarou Mearsheimer, durante recente rodada do Clube de Debate Valdai, em Moscou. “Não há muito espaço para manobra no contexto norte-americano”, completou.

Embora se oponha a Trump, o acadêmico disse concordar com alguns pontos de vista do candidato republicado.

“Donald Trump, instintivamente, se opõe à dominação global. Ele está mais interessado em moderação”, disse Mearsheimer, que, mais cedo, culpou a política externa dos EUA pela deterioração das relações do país com a Rússia.

“O problema é que Trump confere a esses pontos de vista um nome ruim, muitas figuras da política externa são essencialmente contrárias a qualquer coisa que ele diz e, portanto, se opõem também às ideias de contenção [em relação à Rússia].”

Apesar das crescentes tensões envolvendo o Kremlin e a Casa Branca, Mearsheimer refuta a possibilidade de um conflito aberto entre a Rússia e os Estados Unidos.

“Apesar da hostilidade entre os dois países hoje, não acho que seja o conflito mais provável”, disse Mearsheimer, que disse já ter advertido os representantes de política externa dos Estados Unidos sobre as ameaças associadas com o aumento da China.

“Os russos e os norte-americanos não têm nenhuma boa razão para competir de forma séria”, arrematou o acadêmico.

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