Pútin suspende acordo com EUA sobre descarte de plutônio

Produção de pastilhas de combustível nuclear em usina na região de Moscou

Produção de pastilhas de combustível nuclear em usina na região de Moscou

Serguêi Fadeitchev/TASS
Presidente russo assinou um decreto suspendendo o acordo bilateral sobre a utilização e gestão do plutônio. Segundo especialista russo, embora se trate de um gesto político, fim da cooperação nuclear entre países põe segurança global em risco.

O presidente russo Vladímir Pútin assinou na segunda-feira (3) um decreto suspendendo um acordo com os EUA para a eliminação conjunta de plutônio, que já foi visto como um símbolo de aproximação bilateral.

O documento sugere como causas para a retirada russa “uma ameaça à estabilidade estratégica resultante de ações não amigáveis por parte dos EUA e a incapacidade dos Estados Unidos de assegurar o cumprimento das obrigações assumidas”.

Em abril passado, Moscou já havia acusado Washington de não cumprir os termos estabelecidos nesses acordos.

Acordo problemático

O acordo, que representava um importante passo na cooperação pela não-proliferação nuclear, foi assinado em 2000 e posteriormente expandido em 2006 e 2010.

Por meio dele, as partes se comprometeram a eliminar cada uma 34 toneladas de plutônio com grau de enriquecimento que pudesse ser reutilizado para produção de armas nucleares ou outros fins militares.

Segundo Aleksêi Arbatov, chefe do Programa de Não Proliferação do Centro Carnegie de Moscou, havia dificuldade de consenso na implementação do acordo.

“A Rússia construiu uma usina para processar plutônio e transformá-lo em combustível MOX para aplicação em usinas nucleares”, disse Arbatov à Gazeta Russa. “Os Estados Unidos não”, completou.

Os EUA continuam oficialmente empenhados em cumprir os acordos de descarte de plutônio, segundo declarou uma fonte de Washington à agência TASS, ainda em abril.

No entanto, a decisão de Washington de eliminar plutônio de outras formas, sem processá-lo em combustível MOX, é recebida com desconfiança de Moscou.

De acordo com o chefe do departamento para questões de não proliferação no Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Mikhail Ulianov, o método de eliminação proposto pelos norte-americanos permitiria a possibilidade de reutilizar a substância para armamento.

Iniciativa política e riscos globais

Arbatov ressalta que o diálogo sobre a eliminação de plutônio chegou, de fato, a um impasse. Segundo o especialista, a suspensão formal do acordo advém, em grande parte, da deterioração geral das relações bilaterais e não é tão significativa.

“É mais uma formalidade, outro movimento por parte da Rússia para mostrar que não precisamos da cooperação com os Estados Unidos. Ou seja, se vocês não querem isso, estamos bem com isso”, disse o chefe do programa no Carnegie.

O cerceamento da cooperação entre a Rússia e os EUA na esfera nuclear configura, porém, um cenário internacional cada vez menos seguro, acredita Arbatov.

“Toda a cooperação entre a Rússia e os EUA para garantir a segurança de materiais que possam ser usado em armas nucleares – tanto urânio como plutônio – foi suspensa. (...) Com a crescente ameaça de terrorismo pelo mundo e o risco de extremistas terem acesso a materiais nucleares, a falta de diálogo entre as duas grandes potências nucleares mina ainda mais a segurança global”, acrescentou.

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