Parlamento russo mantém os mesmos partidos após eleições

Premiê russo Dmítri Medvedev e presidente Vladímir Pútin visitam comitê de campanha do Rússia Unida após as eleições de domingo (18).

Premiê russo Dmítri Medvedev e presidente Vladímir Pútin visitam comitê de campanha do Rússia Unida após as eleições de domingo (18).

Alexei Druzhinin/Russian Presidential Press and Information Office/TASS
Partido governista ocupa 70% dos assentos da Duma, seguido por Comunista, Liberal Democrata e Rússia Justa. Rússia Unida consolidou sua posição e agora controla completamente o parlamento.

As eleições do último domingo (18) resultaram em vitória para o partido governista Rússia Unida, que angariou 54,7% dos votos e agora é responsável por 70% dos assentos na Duma (câmara dos deputados na Rússia), ou seja, 373 deputados, detendo a maioria constitucional. Neste ano, o partido conseguiu eleger 105 deputados a mais que nas últimas eleições.

"Sabemos que a vida não está fácil, que as pessoas têm muitos problemas, mas, mesmo assim, o resultado é esse que se vê", declarou o presidente Vladímir Pútin ao parabenizar, no domingo, o partido no poder.

Os novos mandatos de cinco anos foram votados, pela primeira vez desde 2003, seguindo um sistema eleitoral misto: 225 assentos foram alocados seguindo as listas do partido e outros 225, por circunscrição de mandato único.

A principal polêmica das eleições ficou na discussão de qual partido é o segundo maior no parlamento, já que Comunista recebeu 13,65% dos votos e o Liberal Democrata, 13,39%. O Rússia Justa mantém-se em quarto lugar, com 6,16% dos votos.

Com outros dez partidos eliminados por não conseguirem ultrapassar a barreira dos 5% dos votos, a composição da Duma de Estado russa se mantém a mesma das últimas eleições.

O partido democrático Iábloko recebeu 1,69% dos votos,  o Partido do Crescimento, do ombudsman para negócios Boris Titov, 1,07% e o Parnas, do político assassinado Boris Nemtsov, ficou com menos de 1% dos votos.

Com o êxito nas urnas e a maioria constitucional, o Rússia Unida agora pode passar leis e inserir mudanças na Constituição mesmo que os outros três partidos na Duma estejam contra.

O comparecimento às urnas registrado neste ano foi de 47,8% - contra os 60,2% de 2011 e os 59% de 2007.

Fraudes

Neste ano, o governo preocupou-se em não repetir os acontecimentos de 2011, quando o grande número de fraudes nas eleições parlamentares levaram a uma onda de protestos massivos no país.

Mas a Comissão Eleitoral, que passou a ser chefiada por Ella Pamfílova em 2016, com a demissão de Vladímir Tchurov, já declarou irregularidades, inclusive cancelando os votos em seções eleitorais onde mesários efetuaram votos ilegais.

"Houve infrações, mas suas dimensões não podem ser equiparadas às das eleições de 2011. São fatos pontuais, eles precisam ser analisados separadamente, não foram uma onda", disse à Gazeta Russa o diretor da instituição pró-governo Agência de Comunicações Políticas e Econômicas, Dmítri Orlov.

Já Gleb Pavlóvski,  um dos principais cientistas políticos do país, acredita que não só os votos em favor do Rússia Unida, como o próprio comparecimento às urnas foi inflado.

"Ocorreram manipulações administrativas em todas as etapas [das eleições]", diz Pavlóvski.

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