Chile homenageia russos pelo apoio a perseguidos por Pinochet

Evento teve participação do embaixador do Chile em Moscou, Juan Eduardo Eguiguren

Evento teve participação do embaixador do Chile em Moscou, Juan Eduardo Eguiguren

Embaixada do Chile em Moscou
Dois jornalistas e um acadêmico russo foram louvados em cerimônia que marcou o 43º aniversário do golpe militar no país latino-americano.

O embaixador do Chile em Moscou, Juan Eduardo Eguiguren, entregou um certificado de agradecimento do governo chileno a três russos por seu trabalho humanitário que, segundo o diplomata, ajudou a salvar a vida de milhares de cidadãos perseguidos pela ditadura de Augusto Pinochet.

Os homenageados foram os jornalistas Leonard Kositchov e Genrich Borovik, também escritor, e o acadêmico especializado em América Latina Aleksandr Ignatiev.

Cerca de 300 estrangeiros que “desinteressadamente contribuíram para preservar a integridade física e emocional dos nossos compatriotas, e movidos por um profundo sentimento de solidariedade com o povo chileno” já foram homenageados, destacou o embaixador.

O evento foi realizado no domingo passado (11), data que marcou 43º aniversário do golpe militar no Chile.

Correspondentes e heróis

O escritor e jornalista internacional Genrikh Borovik ficou famoso na América Latina graças a sua peça teatral “Entrevista em Buenos Aires. Venceremos”, dedicada aos acontecimentos no Chile após a derrubada de Salvador Allende.

O trabalho foi traduzido e encenado em muitos países do mundo, rendendo vários prémios nacionais e internacionais a Borovik, entre eles o The Golden Pen of Freedom (Caneta de Ouro da Liberdade).

Os eventos foram cobertos a partir da Argentina e do Peru, embora o escritor tivesse visitado o Chile pouco antes do golpe de Estado, em 11 de setembro de 1973.

“Eu estive lá em agosto, setembro. Foi quando consegui uma entrevista com Salvador Allende. Fui recebido na casa dele. Já tínhamos nos encontrado antes, quando ele estava viajando por Moscou”, disse Borovik à Radio Liberty.

“Na época trabalhava para a revista [russa] ‘Ogonyok’. Em 11 de setembro o golpe começou. Allende morreu. Estava preocupado por não estar lá naquele momento.”

Já Kositchov, trabalhou no Chile entre 1970 e 1973 como correspondente da Televisão e Rádio Estatal da URSS. Durante o golpe, foi preso como um representante de uma “rádio que distribuía propaganda anti-Chile”.

Foi libertado graças aos esforços do embaixador da URSS no país e deixou o Chile duas semanas depois. Ao retornar a Moscou, tornou-se um dos fundadores do programa Ouça Chile, que foi transmitido pela Rádio Moscou por 17 anos.

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