Especialistas discutem influência russa sobre eleições nos EUA

Para candidata democrata, avaliações comprovam papel da Rússia no ataque

Para candidata democrata, avaliações comprovam papel da Rússia no ataque

AP
Nesta semana, Hillary Clinton acusou a Rússia de tentar influenciar as eleições nos EUA. Observadores não negam possibilidade, mas também afastam apoio direto a Trump.

Há “relatórios credíveis de interferência russa em nossas eleições”, disse Hillary Clinton no início desta semana. A candidata democrata referia-se ao escândalo envolvendo a invasão de servidores e o vazamento de e-mails do Comitê Nacional Democrata.

Nenhuma declaração oficial diretamente acusando Moscou foi emitida, enquanto as autoridades dos EUA se limitam a dizer que a investigação sobre o caso prossegue.

O presidente russo, Vladímir Pútin, negou as acusações de ataque cibernético e afirmou que Moscou não está envolvida nesses segmentos “em nível federal”.

O receio de que a Rússia tenha capacidade de influenciar nas eleições dos Estados Unidos existe no país, segundo Nikolai Zlobin, presidente do Centro de Interesses Globais, em Washington.

Os hackers poderiam, por exemplo, interferir nas votações pela internet, embora a maioria  dos eleitores ainda prefira votar em cédulas de papel. O perigo maior, segundo Zlobin, está na manipulação do voto em grandes Estados do país.

“Não é possível fazê-lo em todos os lugares, mas, ao criar uma ligeira vantagem em determinado Estado, é possível mudar radicalmente os resultados”, diz.

Hackers em eleições

A acusação que recai sobre as agências russas, de tentarem influenciar o resultado das eleições norte-americanas, deve-se, sobretudo, ao candidato republicano Donald Trump, considerado “pró-Rússia” devido à admiração explícita por Pútin.

“Nos EUA, dizem que a Rússia está em declínio, mas, quando se trata de ameaças virtuais, parece que o país é muito competitivo e tem mais capacidade do que a China”, disse Matthew Burrows, observador do grupo de reflexão Atlantic Council, em entrevista ao Gazeta.ru.

Alguns especialistas acreditam que, no caso de um ataque cibernético em massa, os registros eleitorais poderiam estar ameaçados.

O FBI informou, em agosto, que hackers haviam acessado um banco de dados do Conselho Eleitoral de Illinois, roubando 200 mil registros de eleitores. Os serviços de segurança russos também são suspeitos de envolvimento nesse episódio.

Rússia pró-Trump?

Os observadores em Washington que acreditam que as autoridades russas interferiram no processo eleitoral norte-americano avaliam que Moscou joga do lado de Trump.

Embora tivesse declarado apoio ao candidato republicano, Pútin disse, mais tarde, que a liderança do país está pronto para trabalhar com qualquer governo norte-americano.

Na TV estatal russa, Trump é figura mais frequente do que Clinton, mas isso poderia influenciar apenas indiretamente alguns poucos cidadãos de língua russa nos EUA, o que teria um impacto relativamente pequeno sobre os resultados das eleições.

Publicado originalmente pelo Gazeta.ru

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