Síria e 'premiê Super Mário' permeiam entrevista de Pútin à Bloomberg

Rússia não se opõe à operação turca na Síria, declarou Pútin (esq)

Rússia não se opõe à operação turca na Síria, declarou Pútin (esq)

Aleksêi Drujinin/RIA Nôvosti
Presidente russo falou à agência de notícias nesta sexta-feira (2) durante Fórum Econômico Oriental, em Vladivostok.

O presidente russo Vladímir Pútin concedeu entrevista nesta sexta-feira (2) à agência de notícias Bloomberg durante o Fórum Econômico Oriental, realizado na cidade de Vladivostok. A Gazeta Russa compilou os principais pontos da entrevista, que durou 1,5 hora:

1. A Rússia está pronta a discutir as ilhas Curilas com o Japão

Um dos convidados do fórum foi o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. Influenciado ou não pela performance bonachona do político japonês, que apareceu vestido de Super Mário nas Olimpíadas, o presidente russo disse que seriam possíveis sim negociações com o país sobre as ilhas Curilas, território disputado pelas duas nações desde a Segunda Guerra Mundial. Pútin disse que a Rússia está pronta a dar um reinício ao diálogo, que ficou congelado por anos por iniciativa dos japoneses.

"Isso não tem nada a ver com qualquer tipo de troca ou venda, mas sim com a busca com uma solução em que nenhuma das partes saia em desvantagem", disse.

2. Quebra de servidores do Partido Democrático não tem relação com Moscou

Mais uma vez, Pútin negou qualquer influência russa sobre a quebra de servidores do Partido Democrático dos EUA. Alguns veículos de imprensa norte-americanos divulgaram, anteriormente, que os responsáveis pelo vazamento de informações  seriam hackers russos.

"Não sei de nada a esse respeito, e a Rússia nunca fez isso em um nível estatal", ressaltou Pútin.

Perguntado se preferiria ver Clinton ou Trump na Casa Branca, o presidente russo respondeu: "Eu gostaria de trabalhar com qualquer um que possa tomar decisões responsáveis e implementar os acordos que travarmos".

Ele também ressaltou que a Rússia não interfere em assuntos internos de outros países.

3. Europa estável e euro forte são de interesse russo

Sobre o futuro da União Europeia e a zona do euro pós-Brexit, Pútin observou que os principais países europeus têm uma posição pragmática sobre questões econômicas e que isso pode ajudar a fortalecer o euro e a resolver os problemas econômicos existentes na UE.

"Algumas das decisões tomadas poderiam consolidar o grupo de países com níveis equivalentes de desenvolvimento e, portanto, na minha opinião, fortalecer o euro", disse.

Ele relembrou que 40% das reservas de câmbio da Rússia são mantidas em euro. Por isso, ainda que haja divergências políticas, a estabilidade do euro é muito importante para Moscou.

4. Um acordo entre Rússia e EUA sobre a Síria é possível

O presidente ressaltou que se dá de forma muito difícil a questão síria entre a Rússia e os EUA e, para que haja progresso, é necessário distinguir a oposição moderada dos terroristas, questão que se mantém sem resolução desde o início dos acordos. 

Além disso, segundo ele, o progresso poderá ser alcançado. "Não excluo a possibilidade de concordarmos sobre algo no futuro próximo e apresentarmos nossos acordos à comunidade internacional."

Pútin declarou ainda que a Rússia se encontra em contato com a Turquia e não se coloca contra suas operações no norte da Síria.

Quer receber as principais notícias sobre a Rússia em seu e-mail? Clique aqui para assinar nossa newsletter.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.