‘A nós interessa Brasil forte e influente’, afirma diplomata russo

Schetínin: “Desejamos que os Jogos Olímpicos sejam uma celebração do esporte, da paz e da amizade”

Schetínin: “Desejamos que os Jogos Olímpicos sejam uma celebração do esporte, da paz e da amizade”

Assessoria de imprensa
Em entrevista, oficial de Moscou disse esperar que Brasil supere logo atual crise política.

Em entrevista à agência de notícias russa RIA Nôvosti, o diretor do Departamento da América Latina do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Aleksandr Schetínin, falou sobre as parcerias do país nessa região e disse que Moscou espera que o Brasil se recupere da crise política o mais rápido possível.

Dois anos se passaram desde a imposição das sanções da UE contra a Rússia e das medidas tomadas em resposta pelo país. Em sua opinião, até que ponto os parceiros latino-americanos conseguiram aproveitar as possibilidades comerciais criadas por esse contexto?

Aleksandr Schetínin: Os países latino-americanos desejam aumentar a presença de seus produtos agropecuários e alimentícios no mercado russo, e nós incentivamos essa interação, desde que ela não contrarie os interesses dos agricultores nacionais. Promovemos o estabelecimento de relações dos parceiros da América Latina com o Rosselkhoznadzor (Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia) e com empresas de comércio atacadista e varejista do país.

Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Colômbia são parceiros tradicionais com os quais trabalhamos em estreita colaboração. Além deles, produtores de outros países também estão entrando no mercado russo. Mas alguns parceiros latino-americanos ainda devem solucionar questões referentes à adequação de seus produtos às nossas normas fitossanitárias.

Há ainda outro aspecto que foi amplamente discutido durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo de 2016 (Spief na sigla em inglês). Propusemos aos latino-americanos não seguir apenas pelo caminho das operações comerciais tradicionais, mas focar em investimentos e na cooperação tecnológica na agroindústria. O melhor caminho será a criação de joint ventures e indústrias tanto em nosso país como nos países daquela região.

Após a presidente brasileira, Dilma Rousseff, ter sido afastada do poder por 180 dias, seu cargo foi temporariamente ocupado por Michel Temer. Como está a interação da Federação Russa com as novas autoridades do Brasil? Até que ponto a crise política interna do Brasil afetou a cooperação bilateral entre os dois países?

O Brasil é um importante e tradicional parceiro na ONU, na América Latina, no "Grupo dos Vinte" e no Brics. Apreciamos a sua abordagem equilibrada dos assuntos internacionais, tanto na política global quanto nos temas da região latino-americana. Seu peso político e econômico no mundo não tem um caráter conjuntural.

A atual crise política interna do Brasil pode ter afetado de algum modo nossa cooperação bilateral na medida em que ela influenciou de modo geral o posicionamento da política externa e da atividade econômica externa do Brasil como um todo. Desejamos sinceramente que o Brasil supere o mais rápido possível esse período difícil. A nós interessa um Brasil forte, influente, estável politica e economicamente e amigável em relação à Rússia.

O assistente do secretário geral da ONU declarou que a ameaça de ataques terroristas no Brasil durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos permanece elevada. Como você avalia o nível de segurança da delegação russa no país?

Desejamos sinceramente que os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro se transformem em uma celebração do esporte, da paz e da amizade. Sei que os organizadores brasileiros estão trabalhando ativamente na implementação de todas as medidas necessárias, inclusive em termos de segurança dos atletas e dos convidados dos Jogos.

É pouco provável que haja necessidade de aumentar a tensão em torno das Olimpíadas. No que diz respeito ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, em colaboração com nossos colegas e parceiros de outros órgãos russos, posso assegurar que será feito tudo o que for necessário para a estadia segura de cidadãos russos no Rio, tanto atletas como torcedores.

A mídia norte-americana publicou relatos de que a Rússia estaria construindo um centro de inteligência na Nicarágua, sob o disfarce da construção da estação GLONASS no país. Como você vê esses relatos?

Nossa cooperação com a Nicarágua referente ao GLONASS (Sistema Global de Navegação por Satélite) é realizada de forma transparente, com base no acordo firmado por Moscou e Manágua em 2012, que prevê a cooperação na exploração e utilização do espaço para fins pacíficos. Não existe nenhuma armadilha em forma de "centro de inteligência”. E já que esses boatos estão sendo inventados, gostaria de reiterar a nossa avaliação a esse respeito: é difícil comentar sobre “ficção não científica”.

Publicado originalmente pela agência de notícias RIA Nôvosti

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