3 pontos cruciais da futura reunião entre Pútin e Erdogan

Encontro previsto para julho ou agosto será o primeiro desde abate de avião russo

Encontro previsto para julho ou agosto será o primeiro desde abate de avião russo

Reuters
Os presidentes da Rússia e da Turquia pretendem se reunir em um futuro próximo na tentativa de reconstruir a confiança mútua. Especialistas preveem rumos da conversa.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, confirmou recentemente que o aguardado encontro com seu homologo russo, Vladímir Pútin, será realizado em breve. Segundo Erdogan, a reunião poderá acontecerá já em julho ou agosto, antes da cúpula do G20.

Este será o primeiro encontro entre os dois lados depois de uma crise de sete meses nas relações bilaterais, que começou em 24 de novembro de 2015, quando a Turquia abateu um bombardeiro su-24 russo por suposta violação de espaço aéreo.

Segundo os especialistas entrevistados pela Gazeta Russa, as três questões seguintes deverão dominar a pauta da reunião:

1. Crises síria e problemas de segurança

Uma vez que o principal ponto de discórdia entre a Rússia e a Turquia continua sendo a crise síria, os países devem antes chegar a um consenso sobre tema e, assim, melhorar o diálogo.

Desde o início da crise na Síria, Ancara manteve-se ao lado da oposição a Damasco, foi um participante ativo nas reuniões do grupo Amigos da Síria, uma aliança de países ocidentais e do Golfo Árabe, e estaria até mesmo prestando assistência aos grupos radicais que lutam contra o presidente sírio Bashar al-Assad.

Enquanto isso, Moscou sempre apoiou Assad e, em setembro do ano passado, iniciou uma campanha militar na Síria com o objetivo de ajudar o Exército local a reconquistar posições.

Segundo Aleksandr Sotnitchenko, especialista em assuntos internacionais na Universidade Estatal de São Petersburgo, o inimigo comum representado pelo terrorismo poderá, porém, ajudar a conciliar os dois lados “A questão principal é a interatividade na Síria e a luta conjunta contra o terrorismo”, afirma, acrescentando ser cedo para fazer previsões.

Por outro lado, Kerim Khas, especialista em política euroasiática no grupo independente Organização Internacional de Pesquisa Estratégica, em Ancara, acredita que a Turquia já esteja começando a reconsiderar sua politica externa, inclusive em relação à Síria.

“O diálogo entre Moscou e Ancara sobre a Síria é totalmente possível e, acima de tudo, necessário. A crise nas relações russo-turcas começou com precisamente com a Síria, mas também pode ser superada por meio da cooperação para resolver esta crise”, sugere Khas.

2. Suspensão de sanções e cancelamento de vistos

Os presidentes também irão discutir os detalhes para o levantamento das sanções contra a Turquia, impostas conforme decreto de Pútin em 28 de novembro de 2015, bem como o cancelamento da exigência de visto para os cidadãos turcos, introduzida em 1º de janeiro.

“É importante não esquecer que esses processos estarão diretamente ligados à realização bem-sucedida das exigências de Moscou por Ancara”, diz Iúri Mavachev, acadêmico especializado em Oriente Médio e Turquia e colaborador do Clube Geopolítico do Cáucaso, um fórum russo para a discussão de questões sociais e geopolíticas na região.

“Isso significa punição aos culpados e compensação pelo avião abatido. Em relação a isso, a Rússia já chegará com uma vantagem na próxima reunião”, acrescenta. “Não é por acaso que primeiro-ministro russo Dmítri Medvedev destacou que as medidas do governo russo seriam graduais. Este é um sinal e um apelo para Ancara tomar medidas em resposta.”

3. Retomada do projeto Turkish Stream

Outro ponto importante da futura reunião será o Turkish Stream. Em dezembro de 2014, em uma viagem oficial à Turquia, Pútin anunciou sua decisão de abandonar o projeto South Stream em favor do então novo projeto com a Turquia.

O gasoduto, para transporte de gás russo, deveria ser implantado ao longo do leito do mar Negro através da Turquia em direção à fronteira turco-grega. Em dezembro de 2014, a russa Gazprom e a turca Botas assinaram um memorando de entendimento para a construção dessa estrutura.

Esperava-se que, dentro de pouco tempo, também fosse assinado um acordo intergovernamental selando a construção do Turkish Stream. Porém, por razoes diversas, como problemas com os custos, volumes de fornecimento, descontos e crise interna da Turquia, a assinatura foi adiada. Após o incidente com o bombardeiro russo, o projeto deixou de ser discutido entre as partes, embora o Kremlin nunca tenha dito abertamente que estaria abandonando a empreitada.

“A renovação do projeto Turkish Stream será levantada, entre outras questões de cooperação bilateral”, prevê Khas. “É muito provável que durante a reunião os lados concordem em construir um segmento do gasoduto em condições mutuamente favoráveis.”

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