Conselho da Otan se reúne com Rússia pela primeira vez desde 2014

Secretário da aliança deixou claro que Otan poderá não voltar à normalidade com a Rússia, mesmo com restabelecimento de contato.

Secretário da aliança deixou claro que Otan poderá não voltar à normalidade com a Rússia, mesmo com restabelecimento de contato.

AP
Contato foi suspenso por aliança após escalada da crise ucraniana. Reunião de altos funcionários ocorreu em Bruxelas na quarta-feira (20).

Na última quarta-feira (20), o Conselho Rússia-Otan voltou a se encontrar após um hiato de quase dois anos desde a última reunião. ´

Com o aprofundamento da crise na Ucrânia e a integração da Crimeia pela Rússia, o país e a Organização do Tratado do Atlântico Norte acabaram se distanciando e suspendendo toda a cooperação alcançada até 2014.

Há apenas duas semanas, porém, o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, anunciou que a reunião seria realizada.

Os principais temas tratados durante o encontro foram, novamente, a situação na Ucrânia e no Afeganistão, além da necessidade de se aumentar a transparência das atividades militares, como a ocorrida na semana passada na região do Mar Báltico, quando um caça Su-24 russo supostamente passou diversas vezes sobre o contratorpedeiro norte-americano USS Donald Cook, que realizava exercícios conjuntos com a Polônia em águas neutras.

Caminho sem volta

Apesar das esperanças de renovação nas relações, o secretário-geral deixou claro que a reunião não teve avanços nesse campo.

"A Otan e a Rússia mantêm profunda discórdia (...) A reunião de hoje não mudou isso", declarou Stoltenberg.

Ele também confirmou que a aliança não retomará, por ora, a cooperação prática com Moscou, ainda que tenha qualificado como "muito útil o intercâmbio sobre transparência e previsibilidade" para reduzir os riscos das atividades militares russas.

O secretário também disse que o diálogo político é "necessário e útil em tempos de tensões", mas deixou claro que, apesar da discussão "franca e séria" estabelecida, não se pode dizer que a Otan "voltará à normalidade com a Rússia", segundo noticiaram as agências.

"Estamos todos de acordo em manter abertos os canais de diálogo por nosso próprio interesse", disse.

Na véspera da reunião, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguêi Lavrov, declarou aceitar o convite da Otan para retomar o diálogo, que foi interrompido pela aliança, mas que Moscou seria contundente em defender sua posição.

"Dizemos claramente que aqui, também, as coisas não podem continuar como estiveram até agora, e tampouco deve haver um jogo unilateral. A agenda aprovada para a reunião de amanhã reflete não apenas os interesses dos membros da aliança, mas também as necessidades da Rússia", disse Lavrov.

O diálogo anterior incluía o planejamento da primeira missão militar conjunta e reuniões militares e civis. Apesar do retorno dos diálogos, as partes reconhecem que a situação não voltará ao patamar anterior e que ainda há muitas dificuldades a serem superadas.

"A Otan deve determinar sua atitude quanto à Rússia: não vejo possibilidades de melhora de nossas relações se continuar existindo a intimidação", disse o embaixador russo na aliança, Aleksandr Gruchkô, ao diário alemão Die Welt.

O diplomata referia-se ao envio do contratorpedeiro norte-americano Donald Cook à região de Kaliningrado, enclave russo no Báltico. "Não é uma ação militar, é uma tentativa de exercer pressão militar sobre a Rússia", completou.

Importância dos acordos de Minsk

Mesmo com a manutenção das divergências, as partes reconheceram a importância de executar os acordos de Minsk para a pacificação na Ucrânia.

"Todos os 29 membros do Conselho Rússia-Otan concordaram hoje sobre a necessidade de implementar completa e rapidamente os acordos de Minsk", declarou Stoltenberg à imprensa.

"Todos os que assinaram os acordos devem cumprir com seus compromissos e a Rússia tem uma grande responsabilidade a respeito", ressaltou o secretário.

Gruchkô também comentou o papel da Otan na Ucrânia. "Se a Otan quer contribuir para a conciliação, deve dar os sinais correspondentes, bastante claros, de que deverá por um fim à atividade militar", disse à agência Sputnik.

Na terça-feira (19), também se realizou uma reunião da Comissão Otan-Ucrânia, país que é associado, mas não membro da aliança.

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