Renúncia de premiê ucraniano significará ‘menos histeria’

Iatseniuk é alvo de críticas por incapacidade de conduzir medidas necessárias

Iatseniuk é alvo de críticas por incapacidade de conduzir medidas necessárias

Reuters
Saída de Arseni Iatseniuk não provocará mudanças drásticas nas relações Kiev-Moscou, avaliam especialistas. Solução de crise no leste ucraniano também permanece incógnita.

Após o anúncio, no domingo (10), de que o primeiro-ministro ucraniano Arseni Iatseniuk iria renunciar ao cargo, políticos e observadores russos se manifestaram sobre a sua saída. Iatseniuk, que havia assumido o posto após os protestos em 2014, jamais gozou de grande popularidade na Rússia devido às declarações duras sobre Moscou e a liderança russa.

Em entrevista a jornalistas no início da semana, o porta-voz do presidente russo, Dmítri Peskov, destacou que Iatseniuk não havia deixado sua marca com “qualquer tipo de contribuição para a resolução da crise ucraniana”.

Para os especialistas russos, a renúncia do primeiro-ministro ucraniano não deverá provocar uma mudança dramática nas relações russo-ucranianas, mas terá um ‘efeito psicológico’. 

A ideia é que, com a saída de Iatseniuk do governo, as relações entre Moscou e Kiev sejam provavelmente marcadas por “menos histeria e intensidade emocional excessiva nos escalões mais altos da liderança ucraniana”, sugere o vice-chefe do Instituto da CEI, Vladímir Zarkhin.

Apesar dos rumores de que o porta-voz da Rada Suprema (Parlamento ucraniano), Vladímir Groisman, fosse ser nomeado para a função de primeiro-ministro, diversos deputados declararam nesta terça-feira (12) que o político teria se recusado a assumir o cargo.

Futuro de Minsk

De acordo com o Kremlin, as expectativas para o futuro primeiro-ministro ucraniano estão, em primeiro lugar, ligadas à implementação dos acordos de Minsk, o roteiro proposto para se chegar a uma solução pacífica do conflito no leste da Ucrânia.

No entanto, segundo os observadores, é pouco provável que haja qualquer mudança positiva nesse sentido. “A renúncia de Iatseniuk não tem nenhum efeito sobre o verdadeiro equilíbrio de forças políticas em Kiev”, diz Ígor Búnin, diretor do Centro de Tecnologias Políticas. 

Segundo Búnin, o novo governo contará com a coligação de dois partidos: a Frente Popular, de Iatseniuk, e o Solidariedade, do atual presidente ucraniano Petrô Porochenko. “Mas essa coalizão não terá maioria constitucional necessária para resolver muitas questões, incluindo a do Donbass”, alerta.

Pelos acordos de Minsk, a Ucrânia comprometeu-se a alterar a Constituição conferindo estatuto especial à região do Donbass. No entanto, para que sejam aplicadas, as emendas devem ser aprovadas com, pelo menos, dois terços dos votos na Rada Suprema.

“É impossível que Porochenko consiga garantir esse nível de apoio entre os deputados, mesmo que ele tente implementar os acordos de Minsk a sério”, diz Búnin, acrescentando que a maioria dos parlamentares ucranianos aderiram a posições radicais e recusam-se a aceitar as disposições do acordo Minsk sobre a concessão de novo status às regiões no leste do país.

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