Pútin nega acusações de corrupção do ‘Panama Papers’

Pútin: “Este que vos fala não consta lá [Panama Papers], então não há nada para falar”

Pútin: “Este que vos fala não consta lá [Panama Papers], então não há nada para falar”

Kremlin.ru
Presidente russo qualificou revelações como um ‘produto de informação’ e disse ter orgulho da amizade com o músico Serguêi Roldúguin, citado nos documentos como suposta peça-chave de uma rede de empresas offshore do governo.

O presidente russo Vladímir Pútin negou as acusações de corrupção contidas nos documentos do “Panama Papers”, que revelam transações financeiras de pessoas ligadas a líderes políticos, incluindo Pútin, e relacionadas a empresas offshore.

“Todos vocês aqui são jornalistas, e vocês sabem o que é um produto de informação” disse o presidente russo aos repórteres presentes no 3ª fórum dos meios de comunicação ‘Verdade e Justiça’.

“Eles jogaram os holofotes sobre as offshores. Este que vos fala não consta lá, então não há nada para falar, mas a tarefa continua. O que eles fizeram então? Eles fabricaram um produto de informação – encontraram alguns conhecidos e amigos. Desenterraram algumas coisas e remendaram tudo junto”, completou.

Para elucidar seu discurso, Pútin mencionou uma fotografia sua em que aparece na linha da frente com algumas pessoas desconhecidas por trás.

“Esse é o tipo de coisa que eles vêm tentando vender. Há supostamente algum amigo do presidente da Rússia. Ele fez isso e aquilo. Possivelmente, pode haver alguma corrupção ligada a isso. De que tipo? Não há nada do tipo”, acrescentou Pútin. “Por trás de tudo, há certos funcionários e agências oficiais do próprio Estados Unidos, vamos colocar desta forma. O WikiLeaks acaba de mostrar isso. Às vezes, eles ousam tomar liberdades excessivas em público. Nós já recebemos desculpas por isso de alguns funcionários da administração. Não porque sentem vergonha, mas porque são mais inteligentes do que os outros que fizeram aquilo.”

“Quando o Departamento de Estado dos EUA ou as autoridades do governo dos EUA dizem coisas grosseiras, isso significa que eles se expõem como pessoas parciais, o que é ruim para os Estados Unidos do ponto de vista de alcançar o resultado final. E isso é muito bom para nós, porque sabemos bem quem pediu a música”, disse Pútin.

O presidente russo disse ainda ter orgulho da amizade com o violoncelista Serguêi Roldúguin, citado nas recentes revelações do “Panamá Papers” como peça-chave de uma rede de empresas offshore do governo russo.

“Tenho orgulho de ter um homem desses entre os meus amigos. Tenho orgulho dele de uma forma geral”, continuou Pútin. “Ele gastou quase todo o dinheiro que ganhou para comprar instrumentos musicais no exterior e trazê-los para a Rússia.”

As denúncias foram divulgadas no domingo (3) por veículos de comunicação internacionais ligados ao ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), após a investigação em mais de 11 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossak Fonseca.

As informações foram vazadas por uma fonte anônima para o jornal alemão “Sueddeutsche Zeitung” e então compartilhadas com o ICIJ e outros cem veículos de comunicação no mundo.

Os dados apresentados no relatório comprovam que o escritório no Panamá, especializado na abertura de pessoas jurídicas em paraísos fiscais, contribuiu para a lavagem de dinheiro e sonegação de impostos de seus clientes.

O arquivo completo da empresa, porém, não foi publicado. Segundo o chefe do ICIJ, Gerard Ryle, o escritório não revelou toda a sua base de dados nem fará isso.

Com material da agência de notícias Tass

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