Divisão da Otan no Leste Europeu gera instabilidade na região

Avanço da Otan perto das fronteiras russas contraria acordo entre as partes

Avanço da Otan perto das fronteiras russas contraria acordo entre as partes

EPA
Especialistas acreditam que, em resposta à decisão dos EUA de posicionar armamento pesado na Europa Oriental, a Rússia poderá implantar seu potencial ofensivo nas fronteiras com os países bálticos.

O Ministério da Defesa dos Estados Unidos anunciou recentemente que pretende aumentar a sua presença no Leste Europeu, com a implantação de 250 unidades de veículos blindados e até 5.000 militares na região para “tomar medidas no caso de alguma ocorrência”, justificou a pasta.

Em entrevista ao “The Wall Street Journal”, o vice-chefe da pasta de defesa dos EUA Robert Work declarou que o Pentágono deverá posicionar forças adicionais nas fronteiras orientais da Otan com regularidade.

Os reforços incluem tanques, veículos de combate Bradley, obuses autopropulsados Paladin e mais outros 1.750 veículos militares. Segundo Work, “haverá uma divisão com aparato para o combate se algo acontecer”.

“Se a situação ficar crítica, eles seriam capazes de se unir como uma unidade coesa que passou por treinamento junta, com todos os seus equipamentos orgânicos, e lutar. Isso é muito melhor do que o que temos agora”, acrescentou.

A implementação do plano, segundo os observadores entrevistados pelo jornal russo “Kommersant”, obrigará Moscou a implantar suas forças nas fronteiras com os Estados bálticos, incluindo unidades capazes de destruir equipamento norte-americano em caso de ataque.

A iniciativa do Pentágono é vista, sobretudo, como uma tentativa de aliviar a tensão dos seus aliados da Otan na região, atualmente preocupados com a falta de participação dos EUA na manutenção das suas capacidades de defesa.

As armas norte-americanas mais modernas serão implantadas nos territórios de Estônia, Lituânia, Letônia, Polônia, Bulgária e Romênia.

O ministro da Defesa polonês, Antoni Macierewicz, declarou que as conversações sobre a implantação de depósitos norte-americanos de armamento pesado na Polônia já estão em andamento.

Riscos para segurança russa

Os planos dos Estados Unidos de implantar armamento pesado na Europa Oriental foram qualificados como “um sério fator de desestabilização” por uma fonte de alto escalão no Ministério da Defesa russo que não quis ser identificada.

“Essas medidas não podem deixar de gerar perigo, uma vez que os EUA pretendem de facto implantar um trampolim para um contingente militar substancial perto de nossas fronteiras”, explicou a fonte.

“Acreditamos que este seja o primeiro passo dos nossos colegas para reconsiderarmos as disposições do Ato Fundador Otan-Rússia”, completou.

Assinado em 1997, o documento assinado pela Otan e pela Rússia proíbe a aliança liderada pelos EUA de implantar “forças militares substanciais” em seu flanco oriental de forma permanente.

No entanto, Moscou e os países da Otan têm interpretações diferentes do que constituem “forças militares substanciais”.

Para a Rússia, por exemplo, o emprego rotacional de unidades das forças armadas da Otan, com 2.000 a 6.000 militares, na Bulgária e na Romênia é classificado como “substancial”, mas a mesma categoria não é válida na concepção de Washington.

Em 2010, as partes tentaram, sem sucesso, chegar a um denominador comum.

Segundo Vladímir Ievseiev, diretor do Centro para Pesquisa Social-Política da Academia Russa de Ciências, a implantação de armamento pesado perto da fronteira “apresenta um sério risco para a segurança da Rússia”.

Ievseiev acredita que Moscou terá de responder aos planos de Washington, com a implantação de um potencial militar equivalente nas fronteiras com os países bálticos.

“No final, os bálticos não vai se sentir mais seguros; pelo contrário, ficarão reféns da confrontação EUA-Rússia”, arremata.

Com base em materiais Kommersant

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