Com visita de presidente sérvio, Moscou tenta se garantir contra Otan

Apesar de políticos mostrarem aproximação de aliança, sérvios têm simpatia pela Rússia, que não reconheceu independência de Kosovo, e relembram os bombardeios à Iugoslávia.

Apesar de políticos mostrarem aproximação de aliança, sérvios têm simpatia pela Rússia, que não reconheceu independência de Kosovo, e relembram os bombardeios à Iugoslávia.

Reuters
Tomislav Nikolic chegou à capital russa na quarta-feira (9) para se encontrar com homólogo russo.

A visita do presidente sérvio, Tomislav Nikolic, que chegou a Moscou na última quarta-feira (9), teria sido motivada pela preocupação do Kremlin de receber uma garantia de que o país não irá se unir à Otan (Organização dos Países do Tratado do Atlântico Norte), de acordo com o jornal russo Kommersant.

A Sérvia é o único, entre os país dos Balcãs que ainda não se uniram à aliança, que não declara abertamente vontade de se tornar membro dela.

Em 2007, o parlamento sérvio aprovou uma resolução sobre a neutralidade militar do país. Apesar disso, analistas dizem que, após a queda do presidente Slobodan Milosevic no ano, 2000, Belgrado começou a dar indícios de aproximação da Otan.

A Sérvia assinou com a aliança uma série de acordos de teores diversos ao lango de quinze anos. O último deles garante imunidade diplomática aos militares da Otan na Sérvia. O ápice poderá ser a adesão completa de Belgrado à aliança.

Tendência indesejável 

Para a Rússia, a aproximação da Sérvia com a Otan é uma tendência indesejável, segundo a chefe do Centro de Estudos da Crise Contemporânea nos Balcãs, Elena Guskova.

"Para a Otan, é importante que a Rússia sai de uma vez por todas dos Bálcãs, região geopolítica sensível no mundo", diz.

Já Nikita Bondariov, pesquisador do Instituto Russo para Pesquisas Estratégicas, diz que "a Sérvia é importante à Otan como país de trânsito e chave para a península balcânica, ou seja, com toda a região oeste do Mediterrâneo.

Assim, os esforços para não deixar a Sérvia se unir à aliança seriam "uma tentativa de manter pelo menos as aparências de algum equilíbrio,  a presença de um aliado [da Rússia] na Europa Central e Oriental", diz o historiador especialista em Bálcãs Serguêi Romanenko.

Sérvios pró-Rússia

Moscou conta com a continuidade da política de neutralidade da Sérvia na questão, diz a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakhárova.

Muitos cidadãos sérvios também tomam a posição russa em oposição à Otan, com forte influência da memória dos bombardeios à Iugoslávia em 1999, assim como o apoio à idependência da Kosovo.

O comentarista de política da revista "Novo pensamento político sérvio", Nikola Tanasic, diz que é quase impossível que a Sérvia "caia de amores" pela Otan no momento.

O apoio à aliança nunca alcançou mais de 10% dos cidadãos, e "nas últimas décadas qualquer tentativa de popularizar a Otan por meio de campanhas caras só despertou o efeito contrário".

Os políticos sérvios, porém, seguem outra tendência, segundo Tanasic, e seu apoio à Otan só cresce.

A política externa do país dá indícios dessa manifestação, quando a aproximação da Otan fica lado a lado com o anúncio da importância das relações com a Rússia.

Quem faz parte da Otan?

Fundada em 1949, a Organização do Tratado do Atlântico Norte é uma aliança militar intergovernamental entre os países do hemisfério Norte. A Otan exerce grande influência nas decisões políticas da Europa e é coordenada, desde 2014, pelo norueguês Jens Stoltenberg. Hoje, 28 países que hoje formam a Otan: Albânia, Alemanha, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Países Baixos, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Reino Unido, Turquia, Hungria, Polônia, República Tcheca, Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia. 

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