Rússia flerta com Trump na 'Super Terça'

Trump (esq.) já foi declarado queridinho de Pútin, e acabou contratando conselheiro para assuntos russos, enquanto Hillary continua a atacar Moscou

Trump (esq.) já foi declarado queridinho de Pútin, e acabou contratando conselheiro para assuntos russos, enquanto Hillary continua a atacar Moscou

Reuters
Dia decisivo para primárias nos EUA agitou imprensa russa. Enquanto país dá indícios de apoio a Trump, jornalistas mostram outro viés.

Nos Estados Unidos, a "Super Terça" (Super Tuesday) refere-se a uma terça-feira que costuma cair em fevereiro ou março, em anos de eleições presidenciais. É o dia em que um grande número de Estados têm eleições primárias, portanto, decisivo nas escolhas dos candidatos dos partidos norte-americanos.

A "Super Terça" de 2016 aconteceu no último dia 1°, quando Donald Trump venceu as primárias em sete de 11 Estados norte-americanos. Com o resultado, reforçam-se muito suas chances de se tornar o candidato a presidente do partido Republicano. Já na ala dos democratas, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton teve uma vitória expressiva.

A imprensa russa russa tem seguido de perto o desenvolvimento das campanhas primárias e, apesar da visão geral de que a Rússia apoia Trump, a mídia do país tem mostrado que esse afinco ao candidato mais polêmico dos EUA tem mais tons de cinza.

Aposta no populista

http://www.rbc.ru/politics/01/03/2016/56d543619a794777c60b1539?from=rbc_choice

Dos dois favoritos nas primárias, Hillary Clinton e Donald Trump, Moscou conhece bem Clinton, apesar de simpatizar com Trump, escreve o jornal econômico RBC.

Já há muito que os governantes russos acompanham os desdobramentos das campanhas primárias nos EUA. Durante uma coletiva, o presidente Vladímir Pútin chegou a dizer que Trump era uma pessoa muito talentosa. "Não é da nossa conta avaliá-lo, mas dos eleitores dos EUA, mas ele é líder absoluto na corrida presidencial (...) Ele diz querer partir para um novo nível nas relações, um nível mais estreito e profundo de relações com a Rússia. E a gente poderia reprovar isso? Claro que aplaudimos", disse Pútin.

 "Tanto Donald Trump, quanto Hillary Clinton têm pontos positivos e negativos em relação à Rússia", diz o deputado Vassíli Likhatchev, ex-representante  permanente da Rússia na União Europeia.

"O Trump é mais ativo, e usa de forma inteligente a carta russa. É curioso que suas teses e pontos de vista encontrem eco no eleitorado. [Hillary]Clinton sabe muito bem sobre a Rússia, mas tem um problema grave: ela é refém, por vezes, de tendências antirrussas e russófobas que existem dentro dela desde que ela ainda era primeira-dama", diz Likhatchev ao RBC.

Para o deputado, Trump tem maiores perspectivas de um diálogo positivo com Moscou. Mas, segundo ele, a Rússia precisa estar preparada para ambas as alternativas.

Após as palavras de Pútin, Trump declarou ser uma grande honra receber qualificação tão alta de "um homem tão respeitado em seu país e fora dele".

Em 27 de fevereiro, a agência Reuters divulgou que Trump havia passado a contar com um conselheiro para assuntos ligados à Rússia, Michael Flinn, ex-chefe da Agência de Inteligência de Defesa sob o presidente Obama (2012-2014), para estabelecer parcerias mais estreitas entre Moscou e Washington.

Já Hillary, continua a tecer críticas a Moscou. Em evento no centro Brookings no ano passado, por exemplo, ela disse que continuava a acreditar que era preciso reforçar o preço político em relação à Ucrânia para a Rússia e Pútin.

"Estou na categoria de pessoas que querem que façamos mais em resposta à anexação da Crimeia e à desestabilização continuada da Ucrânia", disse ela então.

Super Trump e Super Clinton

A vitória triunfal de Trump mostra a profunda crise em que os republicanos moderados acabaram, segundo o portal Gazeta.Ru.

(http://www.gazeta.ru/politics/2016/03/02_a_8104445.shtml)

Para o presidente do Instituto de Análises Estratégicas, Aleksandr Konovalov, "a sociedade americana cansou dos mesmos políticos (...) É uma notícia ruim também para [Hillary] Clinton, que é representante já há muito do 'clã' político conhecido de todos. Os cidadãos dos EUA não estão entusiasmados com o fato de que republicanos da família Bush e democratas dos Clinton trocam de lugar no assento presidencial constante e seguidamente", diz.

Para ele, se Trump for o candidato escolhido pelos republicanos, acabará parecendo algo mais novo e original que Hillary, aos olhos do eleitor. E isso pode ter papel fundamental no final da corrida presidencial.

Clinton e Trump estão cada vez mais próximos de uma "superfinal".

O 'menos pior'

http://izvestia.ru/news/605418

Hillary e Trump mantiveram vitórias evidentes ao fim da "Super Terça". Isso aumenta em muito as chances de que eles vão às eleições de novembro em busca do posto que atualmente pertence a Obama, escreve o jornal Izvêstia.

Se Trump e Hillary forem à "superfinal" de novembro , então a questão da dimensão nacional poderá ficar reduzida a qual deles os coonterrâneos consideram "o menos pior".

Ambos têm avaliações negativas altas: em determinados quesitos o eleitorado deprecia as posições de um ou de outro.  Com base nisso, seus concorrentes nos próprios partidos não declararam nenhuma vez não ter chances de vencer nas eleições gerais.

Em geral, na essência, toda a atual corrida das primárias nos EUA são um exemplo clássico da guerra entre aqueles que mantêm que "não se pode mais viver assim" e aqueles que preferem manter o status quo, ainda que com ressalvas, escreve o jornal.

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