Rússia nega ter ajudado Coreia do Norte em lançamento de foguete

Soldados sul-coreanos assistem ao lançamento de foguete norte-coreano pela TV

Soldados sul-coreanos assistem ao lançamento de foguete norte-coreano pela TV

AP
Kremlin rebateu acusações de Seul de que Moscou teria ajudado sua vizinha do norte e as classifica de "piada". O lançamento do foguete ocorreu no último domingo (7) e infringe resolução da ONU.

O governo russo rebateu, nesta terça-feira (9) acusações feitas por Seul de ter ajudado a Coreia do Norte no programa espacial norte-coreano e no lançamento de um foguete ocorrido no último domingo que contratia as resoluções do conselho de segurança da ONU.

"A declaração dos serviços de inteligência da Coreia do Sul, por seu caráter de piada nos últimos tempos, começam cada vez mais a lembrar-nos da 'Rádio Armênia'", escreveu em seu Twitter o vice-premiê russo Dmítri Rogózin, referindo-se a uma anedota soviética sobre uma estação de rádio que não existia.

O porta-voz da agência espacial russa Roscosmos, Ígor Burenkov, também refutou a declaração de Seul ao jornal Kommersant.

Sem transferência

Moscou afirma seguir um regime de não tranferência de tecnologia espacial, e condenou o lançamento norte-coreano.

"[Pyongyang] não dá ouvidos aos apelos da comunidade internacional e diversas vezes mostrou negligenciar as regras do direito internacional", lê-se em nota divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

Além disso, a Coreia do Norte declarou que o lançamento do satélite "Kwangmyong 4"  é parte de seu próprio programa espacial.

O alcance dos foguetes agora seria de 12 a 13 mil quilômetros, o bastante para chegar a território norte-americano, segundo pesquisadores japoneses.

Endurecimento de sanções a Kim Jong-un

Apesar do tenso clima político entre Rússia e outras potências, Moscou afirmou apoiar o endurecimento das sanções contra a Coreia do Norte após as transgressões, mas colocou limites às ações contra Pyongyang.

"[As novas resoluções] não devem levar a um colapso humanitário na Coreia do Norte, a um colapso econômico na Coreia do Norte", declarou o embaixador da Rússia nas ONU, Vitáli Tchúrkin.

O representante russo também ressaltou que o novo documento não deve conter indícios de possíveis ações militares contra a Coreia do Norte, apelando para que "se lide com muito cuidado com ações unilaterais".

Sistema antimísseis norte-americano

Após os acontecimentos, a implementação do um sistema antimísseis norte-americano THAAD na Coreia do Sul está cada vez mais próxima de se tornar realidade, segundo o pesquisador do Centro Carnegie de Moscou, Piotr Topitchkanov, especializado em questões de não transferência de tecnologia espacial.

Com o ocorrido, o Ministério da Defesa sul-coreano anunciou ser necessário abrir oficialmente as negociações com os EUA para a instalação do THAAD, afirmação que foi apoiada pelo exército norte-americano.

A instalação de tal sistema, porém, não representa ameaça à Rússia, de acordo com Topitchkanov.

Entretanto, a ação seria um passo dos EUA indesejado pela Rússia, "rumo a uma infraestrutura global de sistemas antimísseis norte-americanos, seguimento já existente tanto na região do Oceano Pacífico, como na Europa".

 

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