Kremlin nega acusações britânicas sobre morte de Litvinenko

Vestígios de elemento radioativo foram encontrados no corpo de Litvinenko

Vestígios de elemento radioativo foram encontrados no corpo de Litvinenko

AP
Pútin ‘provavelmente’ aprovou operação para matar ex-agente de inteligência russo, diz Justiça britânica. Diplomacia lamentou politização em torno do caso.

Autoridades de Moscou rejeitaram as conclusões de um relatório britânico publicado nesta quinta-feira (21) que apresenta o deputado Andrêi Lugovoi e o empresário russo Dmítri Kovtun como responsáveis pela morte do ex-agente da FSB (sigla russa para Serviço Federal de Segurança) Aleksandr Litvinenko.

O documento, que teve trechos publicados na imprensa britânica, afirma que várias informações de inteligência foram coletadas para se atestar que “a operação do FSB para matar Litvinenko foi provavelmente aprovada por Patruchev [chefe do FSB em 2006] e também pelo presidente Pútin”.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, disse lamentar que “o caso estritamente penal tenha sido politizado e escureça a atmosfera geral das relações bilaterais”.

“Obviamente, a decisão de suspender o trabalho do legista e iniciar um inquérito público tiveram motivação claramente política”, disse Zakharova à mídia russa.

Segundo a porta-voz, a chancelaria russa emitirá um parecer detalhado sobre o relatório britânico “após analisar cuidadosamente o conteúdo do documento”.

Lugovoi descreveu sua implicação na morte de Litvinenko como “absurdo” e repetiu que as conclusões são uma tentativa de usar o caso para fins políticos.

“As conclusões do inquérito tornadas públicas hoje mais uma vez mostram a postura antirrussa de Londres (...) e a falta de vontade dos britânicos para determinar a verdadeira causa da morte de Litvinenko”, disse Lugovoi à agência Interfax.

Kovtun não se pronunciou sobre as acusações presentes no relatório.

As conclusões não teriam quaisquer implicações jurídicas para ambos, já que a Constituição russa não permite a extradição de seus cidadãos.

Litvinenko, que fugiu para o Reino Unido em 2000, morreu em novembro de 2006, logo depois de se reunir com seus ex-colegas de FSB Lugovoi e Kovtun. Vestígios do elemento radioativo polônio 210 foram encontrados no seu corpo.

 

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