Comitê de Investigação revela nome de mandante da morte de Nemtsov

A portrait of Kremlin critic Boris Nemtsov and flowers are pictured at the site where he was killed on February 27, with St. Basil's Cathedral seen in the background, at the Great Moskvoretsky Bridge in central Moscow March 6, 2015. Nemtsov, 55, was shot dead meters from the Kremlin as he was walking home.

A portrait of Kremlin critic Boris Nemtsov and flowers are pictured at the site where he was killed on February 27, with St. Basil's Cathedral seen in the background, at the Great Moskvoretsky Bridge in central Moscow March 6, 2015. Nemtsov, 55, was shot dead meters from the Kremlin as he was walking home.

Reuters
Figura-chave da oposição, político teria sido assassinado a mando de soldado das tropas especiais do Ministério dos Assuntos Internos russo.

O Comitê de Investigação da Rússia divulgou nesta terça-feira (29) que o mandante da morte do líder oposicionista russo Boris Nemtsov é Ruslan Mukhudinov, soldado de uma divisão tchetchena das tropas especiais do Ministério dos Assuntos Internos da Rússia intitulada "Sever".

Mukhudinov está na lista de procurados internacionais desde novembro e, segundo o comitê, encontra-se nos Emirados Árabes no momento.

A acusação final do órgão apresenta ainda diversos réus que podem enfrentar prisão perpétua. Além de Mukhudinov, há ainda seis acusados procedentes das repúblicas russas da Tchetchênia e da Inguchétia.  

Ainda segundo o comitê, o assassino de Nemtsov seria Zaur Dadaev, ex-subcomandante do mesmo batalhão "Sever", e Khamzat Bakhaev teria atuado como informante, dando cobertura aos comparsas após o crime.

Além disso, Tamerlan Eskerkhanov é acusado de traçar o plano, enquanto o papel dos irmãos Anzor e Chadid Gubaschev, também citados, ainda não é claro.

"Todos eles são suspeitos de executar um assassinato encomendado dentro de um grupo organizado, assim como formação de quadrilha e porte de arma de fogo", lê-se no comunicado do Comitê de Investigação.

Sua participação no crime é baseada em mais de 70 exames forenses, interrogatórios, testemunhas oculares e imagens de câmeras de segurança, entre elas, as que estavam instaladas no local do assassinato.

O comitê ressaltou que a morte de Nemtsov não teve motivação relacionada com sua atuação política ou social.

A filha do oposicionista, Janna Nemtsova, já havia requerido anteriormente que o status do crime fosse mudado de "assassinato" para "atentado à vida de figura política ou social", mas seu pedido foi rejeitado pela investigação.

Encobrimento 

Ruslan Mukhudinov foi motorista em Moscou do subcomandante do batalhão "Sever", Ruslan Gueremeev, que também foi considerado suspeito de envolvimento no crime contra Nemtsov e é filho de um senador da Federação da Rússia pela Tchetchênia e deputado da Duma de Estado (câmara dos deputados).

O advogado da família de Nemtsov, Vadim Prôkhorov, declarou que a família do oposicionista não aceita a acusação de Mukhudinov como mandante, que estaria apenas sendo usado para encobrir o verdadeiro responsável pelo crime.

Batalhão "Sever" 
Criado em 2006, o batalhão surgiu de uma estrutura controlada pelo presidente da Tchetchênia, Ramzan Kadirov. Em suas fileiras foram incorporados membros de centros antiterroristas, assim como ex-combatentes que, após 2003, passaram a se posicionar ao lado de Kadirov. Na imprensa russa, o batalhão "Sever" também é apelidado como "Batalhão do Kadirov".

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.