Negociações internas na Síria começam em janeiro

Segundo Lavrov (centro), decisão da ONU abre caminho para frente ampliada contra o terror

Segundo Lavrov (centro), decisão da ONU abre caminho para frente ampliada contra o terror

Ministério dos Negócios Estrangeiros
Decisão do Grupo Internacional de Apoio à Síria foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU. Pútin já havia demonstrado satisfação com ambicioso plano iniciado pelos Estados Unidos.

As autoridades e oposição sírias têm seis meses para chegar a acordo sobre a formação de um governo de unidade nacional, decidiram os delegados do Grupo Internacional de Apoio à Síria após cinco horas de deliberações, em Nova York, na sexta-feira (18). A decisão confirma o roteiro aprovado em Viena para conter a guerra civil na Síria.

As conversações entre o governo de Damasco e os líderes da oposição, sob os auspícios das ONU, estão previstas já para janeiro. Assim que for alcançado um acordo sobre a formação do governo de coalizão, as hostilidades armadas deverão ser completamente cessadas. Uma nova Constituição também será promulgada dentro de um ano e meio.

A resolução, cuja adoção foi inicialmente estimulada pelos Estados Unidos, havia sido discutida também em uma reunião entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o presidente russo, Vladímir Pútin, na terça-feira passada (15) em Moscou.

Em coletiva de imprensa na semana passada, Pútin chegou a declarar que Moscou está, “em geral, satisfeita” com a proposta de resolução elaborada por Washington.

Para a Rússia, além da solução política imediata, existe outro aspecto importante na questão síria: a união de forças no combate ao terrorismo.

A deliberação da ONU “deve abrir caminho para a formação de uma frente ampliada contra o terrorismo, com base na Carta das Nações Unidas e com o apoio de todos aqueles que combatem o terrorismo in loco, incluindo o Exército sírio, as milícias curdas e as forças armadas da oposição”, acredita o chanceler russo Serguêi Lavrov, que participou da reunião.

Além de Rússia e EUA, as negociações tiveram a presença de líderes dos outros 15 países que compõem o Grupo Internacional de Apoio à Síria, entre eles Alemanha, França, Reino Unido, Jordânia, Arábia Saudita, Turquia e Irã e representantes da Liga Árabe e da Organização da Cooperação Islâmica.

Resoluções em aberto

Os países que compõem o grupo não chegaram, porém, a um acordo quanto à lista dos grupos terroristas que atuam na Síria.

O governo da Jordânia apresentou uma lista de supostos grupos terroristas em território sírio, conforme decisão adotada em 14 de novembro, em Viena. Mas nem todos os participantes concordaram as 160 organizações listadas.

Por enquanto, apenas os militantes do Estado Islâmico e da Frente al-Nusra, braço da Al Qaeda na Síria, são unanimemente definidos como terroristas pelas partes.

Também não está claro quem irá representar a oposição nas conversações com as autoridades sírias, ou qual será o futuro político do presidente sírio Bashar al-Assad.

Segundo Lavrov, a resolução adotada pelo Conselho de Segurança da ONU garante que “será o povo sírio a determinar o futuro” do país. “Essa é uma resposta clara às tentativas de impor aos sírios soluções vindas de fora para quaisquer que sejam as questões a resolver, incluindo a questão do destino do seu presidente.”

A próxima rodada de negociações entre os membros do Grupo Internacional de Apoio à Síria é esperada para janeiro. Até lá, acredita-se que já tenha sido definida a composição da delegação que irá representar a oposição nas negociações com as autoridades sírias.

A guerra civil na Síria, que se estende por mais de quatro anos e meio, já deixou 250 mil mortos e forçou outros milhões de pessoas ao exílio.

 

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