Pútin diz que Turquia “enche os bolsos” com petróleo sírio

Pútin: “A situação [econômica] é difícil, mas não crítica.”

Pútin: “A situação [econômica] é difícil, mas não crítica.”

Ramil Sitdikov/RIA Nôvosti
Em mensagem anual à Assembleia Federal nesta quinta-feira (3), o presidente russo Vladímir Pútin falou sobre o aumento da ameaça terrorista e qualificou como “traição” a derrubada de avião pela Turquia. Confira trechos transcritos do próprio discurso.

Terrorismo

A Rússia já trava há muito tempo uma luta contra o terror. Sabemos o que significa a agressão do terrorismo internacional. (...) Foram necessários quase dez anos para excluir os terroristas da Rússia. Agora estamos lutando com os resíduos. Mas esse mal ainda se faz sentir.

Dois anos atrás foram cometidos ataques terroristas em Volgogrado, e há pouco tempo um avião russo explodiu quando sobrevoava o Sinai. A ameaça do terrorismo está crescendo. Ainda não está resolvido o problema do Afeganistão. A situação no país é alarmante e não inspira nenhum otimismo. Alguns outros países do Oriente Médio se transformaram em zonas de caos e anarquia.

Temos a obrigação de os destruir [os terroristas] com uma abordagem à distância, eis a razão pela qual decidimos empreender a operação militar na Síria.

A Rússia demonstrou extrema responsabilidade na luta contra o terrorismo. Temos que defender os nossos valores.

Todo Estado tem o dever de contribuir para a derrota dos terroristas, e não com declarações, mas com ações concretas. Não podemos permitir nenhum negócio criminoso, sanguinário com o terrorismo.

Turquia

Sabemos que a Turquia está enchendo os bolsos às custas do petróleo roubado por terroristas na Síria. Com esse dinheiro estão sendo financiadas ações de indivíduos que cometem ataques terroristas.

Também não esquecemos de que foi precisamente na Turquia que militantes que atuavam no Cáucaso do Norte na década de 1990 se esconderam e receberam apoio. Por outro lado, tem o povo turco – bondoso e trabalhador. Temos muitos amigos na Turquia. Eles têm que entender que nós não colocamos um sinal de igual entre eles e os simpatizantes dos terroristas.

Nós não esqueceremos essa cumplicidade com o terrorismo. Nós sempre consideramos a traição como a coisa mais vergonhosa. Que fiquem sabendo isso aqueles que na Turquia dispararam contra os nossos pilotos pelas costas. Todos os problemas poderiam ter sido resolvidos de outro modo. Nós estávamos prontos para cooperar nas questões mais sensíveis. Eu não sei por que eles fizeram isso. Só Alá, provavelmente, pode saber porque fizeram isso.

Parece que Alá decidiu punir a elite governante turca, privando-a de inteligência e razão. Mas precisamos evitar a perigosa reação histérica. Isso não vai acontecer. Como fundamento das nossas ações estará, acima de tudo, a responsabilidade. Nós não vamos fazer tinir armas. 

Economia russa

No ano passado, fomos confrontados com sérios desafios econômicos. A situação é, de fato, difícil, mas não crítica. Já estamos vendo tendências positivas. A inflação está diminuindo, a taxa de câmbio da moeda nacional estabilizou e a indústria está se desenvolvendo. Mas isso não significa que devemos nos acalmar.

Temos que estar preparados para o fato de as restrições externas e o período de preços baixos das matérias-primas poderem se estender por muito tempo. Também não podemos perder o trem das principais tendências de desenvolvimento global. Novos blocos comerciais estão se formando, novas tecnologias, surgindo.

Justamente agora estão se definindo as posições dos países na divisão global do trabalho. E nós precisamos tomar o nosso lugar entre os líderes. Devemos ser líderes em economia, tecnologia e outros campos.

O governo, junto com a Agência das Iniciativas Estratégicas, deve continuar a trabalhar na melhoria das condições para se fazer negócio. É com a ampliação das liberdades do empreendedorismo que devemos responder a todas as restrições que estão tentando nos impor.

Cooperação internacional

Estamos interessados ​​em um ampla cooperação com parceiros estrangeiros. Damos as boas-vindas a investidores, apesar das circunstâncias difíceis. Estamos intensificando os processos de integração a fim de criar oportunidades adicionais para expandir os laços econômicos.

Chegamos a um novo nível no âmbito da UEE [União Econômica Eurasiática]. Foi alcançado o principal acordo para conjugar a iniciativa de integração eurasiática com o projeto chinês Rota da Seda. Foram assinados acordos com o Vietnã. Temos que cooperar mais ativamente com os países da Asean [Associação de Nações do Sudeste Asiático] e da Organização para Cooperação de Xangai, bem como com aqueles países que querem integrar a Organização para Cooperação de Xangai. (...) Juntos, os nossos países compõem quase um terço da economia mundial. A parceria deve se basear em princípios de igualdade e interesse mútuo.

 

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