Ossétia do Sul pode realizar referendo para unificação à Rússia

Locais celebram primeiro aniversário da declaração de independência da Ossétia do Sul, em 2009

Locais celebram primeiro aniversário da declaração de independência da Ossétia do Sul, em 2009

Reuters
O presidente da Ossétia do Sul disse que vai realizar um referendo sobre a adesão da região separatista à Rússia. Moscou não está pronta para assumir rumo dos acontecimentos, garantem fontes próximas ao Kremlin.

O presidente da Ossétia do Sul, Leonid Tibílov, anunciou um referendo para a unificação da região à Rússia, em conversa com o assessor presidencial russo Vladislav Surkov na segunda-feira (19). A independência em relação à Geórgia foi reconhecida por Moscou em 2008, após conflito local que durou apenas cinco dias.

A nota, divulgada pela assessoria de imprensa do presidente ossétio, informa ainda que, nas palavras Tibílov, é preciso “fazer uma escolha de importância histórica” e a “unificação com a Rússia é um antigo sonho do povo da Ossétia do Sul”.

Moscou, por sua vez, não deu sinais de apoio nem de que pretende dar andamento ao referendo. “A Rússia está satisfeito com o ritmo atual dos processos de integração. Não há necessidade de novos estímulos”, disse à Gazeta Russa Aleksêi Tchesnakov, cientista político próximo ao Kremlin.

“A declaração de Tibílov apenas registra que as prioridades estratégicas da Ossétia do Sul não mudaram, mas isso não significa o início imediato da preparação de um referendo”, completou Tchesnakov.

O tratado de aliança e integração com a Ossétia do Sul, assinado em março deste ano, já prevê a integração dos órgãos alfandegários e a cooperação entre os ministérios do Interior e os exércitos da Ossétia do Sul e da Rússia.

“Moscou também vem investindo pesado na economia da Ossétia do Sul”, diz o presidente do comitê para Assuntos da CEI, Integração Eurasiática e Relações com Compatriotas da Duma (câmara dos deputados da Rússia), Leonid Slútski. A contribuição russa cobre hoje mais de 90% do orçamento da região.

“Vamos respeitar a vontade do povo, mas, tendo em vista o difícil cenário geopolítico, essa questão [adesão à Rússia] é problemática. Por enquanto, me abstenho de qualquer opinião, positiva ou negativa, sobre o assunto”, continua Slútski.

Populismo?

“É difícil acreditar que o bem-sucedido presidente da Ossétia do Sul não tenha consultado Moscou previamente sobre essas questões”, diz o diretor do Instituto de Países da CEI, Konstantin Zatúlin.

Tibilov também não é única autoridade da região que, de tempos em tempos, faz declarações do gênero. “Lá todo mundo entende que o desejo de unificação não significa levá-la a cabo”, diz Zatúlin. “Essa ideia é muito popular entre o eleitorado.”

“Mas vejo uma diferença clara entre a Ossétia do Sul, que procura a unificação com a Rússia, e a Abecásia, que tem esperanças de construir um Estado independente”, acrescenta.

Em 1992, os habitantes da Ossétia do Sul realizaram um referendo para a unificação da região à Rússia. Na época, 99,89% dos eleitores se manifestaram a favor da integração. Em 2006, um novo referendo foi realizado, mas desta vez para votar o status de país independente.

Além da Rússia, os únicos membros da ONU que reconhecem a independência da Ossétia do Sul são Nicarágua, Nauru, a Venezuela e Tuvalu. 

 

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