“Mundo moderno perdeu controle sobre a segurança global”

Gorbatchov: Vencedor do Nobel “deve ser achado, não criado”

Gorbatchov: Vencedor do Nobel “deve ser achado, não criado”

Features/Fotodom
Celebrando esta semana 25 anos desde que ganhou o Nobel da Paz, ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov reafirma importância do prêmio em meio aos eventos atuais.

“O mundo moderno está perdendo controle sobre a segurança global, o que é muito preocupante”, declarou o ex-presidente da URSS Mikhail Gorbatchov à agência Tass. “Tínhamos que mantê-la, mas, em vez disso, estamos perdendo o controle sobre o mundo, sobre as armas, sobre tudo relacionado com segurança”, acrescentou.

Esta semana marcou os 25 anos desde o recebimento do Nobel da Paz por Gorbatchov “em reconhecimento pelo seu papel de liderança no processo de paz que hoje caracteriza uma parte importante da vida da comunidade internacional”. Na época, o ex-líder soviético teve destaque nas negociações que levaram ao fim da Guerra Fria.

“A maneira na qual o confronto foi substituído por cooperação também teve suas consequências em outras partes do mundo. Vários conflitos regionais foram resolvidos. Essas mudanças têm dado às Nações Unidas um novo sopro de vida”, disse Gorbatchov.

No entanto, segundo o ex-presidente da URSS, pela primeira vez desde a sua criação após a Segunda Guerra Mundial, a ONU é capaz de desempenhar o papel para o qual foi originalmente destinada. “E pode agora começar a exercer a sua responsabilidade para a criação de uma comunidade internacional baseada no Estado de direito e ao estabelecimento da paz entre as nações”, disse o vencedor do Nobel em 1990.

Nas Américas e na Europa, Gorbatchov é geralmente associado ao fim da Guerra Fria, à queda do muro de Berlim e a iniciativas democráticas. Os cidadãos do espaço pós-soviético, no entanto, reservam críticas, e alguns o culpam pelo colapso da “ex-grande nação”.

De acordo com uma pesquisa do maior instituto privado de pesquisas da Rússia, o Centro Levada, apenas 18% da população russa tem uma percepção positiva do ex-líder soviético, enquanto 28% o veem de forma negativa.

O prêmio em dinheiro recebido por Gorbatchov pelo Nobel foi transferido para o orçamento do país e, posteriormente, também utilizado na construção de hospitais na Rússia, Ucrânia e Bielorrússia.

Achados do Nobel

O vencedor do prêmio da Paz deste ano, divulgado em 9 de outubro, foi o Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia, um grupo relativamente desconhecido no cenário internacional cujos esforços pela transição democrática no país foram reconhecidos pelo Comitê Nobel Norueguês.

“Quando o processo democrático estava em risco de entrar em colapso (...), ele [o quarteto] estabeleceu como alternativa um processo político pacífico. Era um momento em que o país estava à beira de uma guerra civil”, declarou Kaci Kullmann Five, presidente do comitê.

Gorbatchov reiterou a importância do prêmio, “que é debatido e preparado seriamente”, mas se absteve de avaliar os últimos laureados com o Nobel da Paz, alegando que o vencedor “deve ser encontrado, não criado”.

“É por isso que a escolha de um laureado deve ser uma decisão muito grave que virá a influenciar o mundo todo”, acrescentou.

Entre os 273 candidatos para o Prêmio no Nobel da Paz em 2015 estavam nomes como o da chanceler alemã Angela Merkel e do papa Francisco, além do jornal independente russo “Novaia Gazeta”, que foi iniciado com recursos do prêmio obtido por Gorbatchov em 1990.

De acordo com o testamento de Alfred Nobel, fundador do prêmio, o Nobel da Paz deve ser destinado a quem tiver feito “o maior ou melhor trabalho pela fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução dos exércitos permanentes, ou pela realização e promoção de congressos de paz”. 

Com material da agência de notícias Tass e do veículo Russia Direct

 

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