
Eleições em Donetsk aconteceriam em 18 de outubro e em Lugansk, em 1º de novembro
APApós apelo feito por líderes globais em Paris, as repúblicas populares de Donetsk (RPD) e de Lugansk (RPL) decidiram adiar as eleições locais para fevereiro de 2016. Ambas planejavam realizar suas respectivas votações em separado das eleições gerais da Ucrânia, criando um dos principais obstáculos à aplicação prática dos acordos de paz estabelecidos em Minsk.
Ao comunicar o adiamento da votação, os representantes das regiões separatistas destacaram que a decisão de desistir da data inicial das eleições está atrelada à “plena implementação dos pontos políticos dos acordos Minsk-2 por parte de Kiev”.
A expectativa agora é que o governo central da Ucrânia conceda estatuto especial ao Donbass e deixe de perseguir os envolvidos nos conflitos nas regiões de Donetsk e Lugansk. “Além de votar no Parlamento as alterações à Constituição, com um texto acordado entre as partes”, declararam os representantes locais.
Diante da notícia, o presidente ucraniano Petrô Porochenko afirmou que a decisão de adiar a data da votação “abre caminho para o retorno do Donbass à Ucrânia pela via das eleições, segundo a legislação ucraniana e com base nas normas da OSCE”.
O chanceler da Ucrânia, Pavlô Klimkin, demonstrou, porém, menos otimismo em relação à medida adotada pelas repúblicas, qualificando-a como “jogo sujo”.
“[O Donbass] não tem por natureza nenhum estatuto especial”, disse Klimkin durante sessão no Parlamento na quarta-feira (7). Segundo ele, as eleições podem acontecer após a retirada das tropas estrangeiras, e a anistia será declarada apenas depois das eleições.
Minsk pela metade
A notícia divulgada por representantes da RPD e da RPL foi recebida com entusiasmo por Moscou. “Esse é mais um exemplo de uma abordagem flexível e construtiva em defesa da concretização dos acordos de Minsk”, disse o assessor de imprensa do Kremlin, Dmítri Peskov.
Para Pável Sviatenkov, do Instituto da Estratégia Nacional da Rússia, a decisão representa uma medida unilateral que favorece Kiev.
“A Ucrânia tem prometido repetidas vezes cumprir os acordos de Minsk – anunciar anistia, aprovar a lei da administração local em Donetsk e Luhansk, aprovar alterações à Constituição, etc. – e nada disso foi cumprido”, disse o analista à Gazeta Russa. “E até agora não vemos qualquer premissa que indique uma mudança de comportamento por parte de Kiev.”
Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.
Assine
a nossa newsletter!
Receba em seu e-mail as principais notícias da Rússia na newsletter: