Prisão de autoridades em exercício é sem precedentes

Só neste ano, dois governadores já foram detidos: de Sakhalina e de Komi

Só neste ano, dois governadores já foram detidos: de Sakhalina e de Komi

Shutter Stock/Legion Media
Em 2015, dois governadores em exercício foram presos acusados de corrupção, assim como mais de dez funcionários públicos com cargos de chefia. Analistas falam em uma 'faxina' dos corruptos sem precedentes.

Em meados de setembro, o governador da república de Komi, Viatcheslav Gaizer, foi preso sob suspeita de formação de quadrilha e estelionato junto ao vice-governador, o porta-voz do Conselho Estatal, um ex-senador, e um deputado da Duma de Estado (câmara dos deputados na Rússia), além de mais de dez representantes da elite política da região. A prisão foi a maior de uma liderança regional em todo o período pós-soviético.

De acordo com a procuradoria, o grupo de Gaizer se apoderou de propriedades estatais por mais de nove anos por meio de esquemas em que participavam companhias afiliadas com parentes dos réus.

Em buscas, foram apreendidos mais de 60 quilos de joias, 150 relógios de pulso com preços que variam entre os 30 mil e 1 milhão de dólares e carimbos de pessoas jurídicas que participavam dos esquemas offshore, assim como documentos financeiros para a legalização dos ativos de valor superior a 1 bilhão de rublis (quase 15 milhões de dólares).

O episódio da prisão de quase toda a chefia do governo da região causou surpresa - e deixou a república, literalmente, quase sem governo. O chefe de Komi tinha reputação de erudito e figurou entre os cinco líderes regionais mais eficientes no ranking da organização pró-Kremlin Fundo para Desenvolvimento da Sociedade Civil.

Nas eleições de 2014, ele obteve 80% dos votos, e em 13 de setembro de 2015, durante as eleições para o conselho legilativo, Gaizer liderou a lista do partido governista "Rússia Unida".

Foi a segunda prisão de um governador em exercício decretada neste ano. No início de março, o governador da ilha Sakhalina, Aleksandr Khoroshavin, foi detido sob suspeita de suborno com três cúmplices. Hoje ele é réu em dois processos de propinas, um valor de US$ 5,6 milhões e outro, de US$ 231 mil.

Nada sistêmico

A "faxina" política, porém, não teria nada de sistêmica. "Ela não tem nenhuma relação com a luta sistêmica contra a corrupção", diz o vice-presidente do comitê anticorrupção da Duma de Estado, Dmítri Gorovtsov.

O diretor da organização Transparência Internacional na Rússia, Anton Pominov, concorda. "Caso contrário, veríamos a continuidade de casos como o das propinas oferecidas por companhias como a Siemens, Daimler, Hewlett-Packard, Bio-Rad etc. As companhias são multadas, mas contra as autoridades que elas compraram, não acontece nada", diz.

Para ele, a legislação anticorrupção nos últimos anos avançou bastante. "Apesar de ser muito mais importante o quanto essa legislação é usada na prática", afirma.

"Quase 80% dos julgamentos por recebimento de propina se referem a propinas de até 10 mil rublos [154 dólares]", diz a professora de direito da Universidade Federal do Sul, Anna Razogreeva.

Além disso, a quantidade geral de crimes desse tipo caiu de 49.513, em 2012, para 32.060, em 2014. Entretanto, o número de condenações aumentou para 94%.

 

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