Cúpula em Paris pede adiamento de eleições locais na Ucrânia

Líderes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia elogiaram resultados da reunião

Líderes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia elogiaram resultados da reunião

Reuters
A implementação dos acordos de paz de Minsk foi novamente discutida por líderes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia. Em encontro considerado bem-sucedido pelas partes, foi decidido que Kiev adotará a lei eleitoral após discuti-la com representantes das repúblicas separatistas.

Reunidos na capital francesa, os líderes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia defenderam que as eleições nas repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL) sejam adiadas. Ambas as repúblicas planejam realizar votações em separado das eleições do restante território da Ucrânia, gerando insatisfação no governo central de Kiev.

Em coletiva de imprensa após o encontro, os líderes da Alemanha e da França, Angela Merkel e François Hollande, reforçaram a necessidade de as eleições serem realizadas de acordo com a legislação ucraniana. Os presidentes da Rússia, Vladímir Pútin, e da Ucrânia, Petrô Porochenko, deixaram o Palácio do Eliseu logo após as negociações.

A proposta é que Kiev adote a lei eleitoral depois de discuti-la com líderes da RPD e da RPL. Também deve ser anunciada a anistia que permitirá aos representantes dessas repúblicas participarem das eleições. As eleições no Donbass ocorrerão 80 dias após a aprovação da lei eleitoral pela Rada (Parlamento ucraniano) e sob a supervisão da OSCE.

Assim como Merkel em seu discurso, o assessor de imprensa do Kremlin, Dmítri Peskov, mostrou satisfação com os resultados da reunião, como a adoção da lei sobre o estatuto especial do Donbass e a perspectiva de reforma constitucional. “Os participantes da reunião constataram uma evolução positiva em relação à retirada de armas ligeiras da linha de demarcação”, acrescentou.

O presidente francês declarou também que o regime de cessar-fogo no leste da Ucrânia está sendo “de um modo geral, respeitado”.

Embora estivesse previsto que todo o pacote de medidas no âmbito dos acordos de Minsk seria implementado até o final deste ano, sugeriu-se agora a extensão do prazo para 2016.

Progresso em teste

Para o vice-decano da Faculdade de Economia Global e Relações Internacionais da Escola Superior de Economia, Andrêi Suzdaltsev, apesar dos progressos, as partes salientaram que nenhum dos lados os cumpre na íntegra. Isso indica, segundo o analista político, que foram retiradas as acusações unilaterais de descumprimento dos acordos de Minsk pela Rússia.

“[Não foi mencionada] nenhuma ameaça por parte da Rússia. Ou seja, não houve formalmente nenhum contexto antirrusso”, disse Suzdaltsev à Gazeta Russa, acrescentando, porém, que o tom pesado da conversa teria feito com que Pútin sequer ficasse para a coletiva de imprensa.

Por outro lado, o especialista do Mgimo (Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou) Mikhail Aleksandrov acredita que o acordo sobre as eleições no Donbass possa ser usado para interromper a já marcada votação na RPD e na RPL.

“Depois de canceladas as eleições no Donbass e de o texto da lei eleitoral ser submetido ao Parlamento, este poderá ficar parado lá por causa dos protestos de deputados com a apresentação do texto pelo próprio Porochenko”, diz Aleksandrov.

 

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