“Brics pode ser não ocidental, mas não é antiocidental”

 "A influência dos Brics é mais um sinal do enfraquecimento gradual da influência ocidental no mundo" - diz Lukianov. Foto: BRICS2015

"A influência dos Brics é mais um sinal do enfraquecimento gradual da influência ocidental no mundo" - diz Lukianov. Foto: BRICS2015

Em entrevista, observador russo fala sobre recente cúpula e influência do grupo no mundo.

Quais são os resultados mais importantes da recente cúpula do Brics?

Não motivos para falar de resultados práticos.  O Brics é um processo, não é nem mesmo uma organização, mas um tipo de união que está surgindo e tem

desenvolvimento gradual. Todos os anos, os líderes dos países do Brics afirmam a sua intenção e o seu compromisso de trabalharem juntos e acrescentarem algo de novo à ordem do dia, mas não necessariamente tomar decisões específicas.

No entanto, houve uma grande mudança na cúpula do ano passado, quando os líderes decidiram criar o Novo Banco de Desenvolvimento e o fundo de reserva, cujas atividades tiveram início agora. Esse é um passo importante, porque, pela primeira vez, os Brics se moveram na direção de criar instituições internacionais alternativas.

Quanto à importância dos resultados e das reuniões, diria que a influência dos Brics é mais um sinal do enfraquecimento gradual da influência ocidental no mundo.

O Ocidente pode até perceber uma perda de influência no mundo, mas ele também não vê o Brics como uma séria ameaça....

No momento, não há ninguém que desafie seriamente o Ocidente. O Brics, com exceção da Rússia, que está impaciente por determinadas razões, não querem dar a impressão de que estão se reunindo contra o Ocidente. O Brics é um grupo ‘não ocidental’, mas não ‘antiocidental’.

Fiódor Lukianov Foto: Seguêi Piatakov/RIA Nóvosti

A recente visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA ou a viagem do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, à Europa foram interpretadas por alguns como uma fraqueza do Brics, mostrando que não há unidade entre os membros, e que Brasil e China ainda preferem colaborar com o Ocidente. Você concorda?

Mais uma vez, nenhum dos países [do Brics] diz que vai rejeitar colaboração com o Ocidente. É contraprodutivo ver a questão dessa forma. E a Rússia, da mesma forma, não vai fazê-lo, apesar da situação atual.

Quais são as chances de o Brics reformar o sistema financeiro internacional?

Se novas instituições alternativas começam a surgir, eles começam a se desenvolver e aumentar a sua influência e presença. Mas não tanto para substituir as instituições existentes, como o Banco Mundial e o FMI, mas para criar alternativas e oportunidades adicionais.

Como você avalia a possibilidade de outros países, como o Paquistão ou o Irã, se unirem ao grupo?

Apesar de não haver oficialmente nenhum critério, informalmente, eles existem. Os países que aderem ao Brics devem ter soberania completa; o que significa que eles têm que ter a capacidade de desenvolver uma política independente, ou seja, não estão inseridos em alianças que impõem restrições.

Paralelamente, precisam ter potencial econômico para serem capazes de implementar essa política independente. Nesse sentido, existem poucos países do mundo que atendem a esses critérios atualmente.

Fiódor Lukianov é presidente do Conselho de Política Externa e de Defesa.

 

Publicado originalmente pelo Russia Direct

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