Calote grego pode beneficiar relações do país com a Rússia

Defensores do “não” em referendo grego protestam em frente ao Parlamento, em Atenas Foto: EPA/Fotis Plegas

Defensores do “não” em referendo grego protestam em frente ao Parlamento, em Atenas Foto: EPA/Fotis Plegas

Anúncio de não pagamento de dívida grega na semana passada teve pouca influência sobre a economia russa. Caso europeus não cheguem a um consenso, saída da Grécia da zona do euro criaria novas oportunidades para ampliar cooperação do país com a Rússia.

Na semana passada, a Grécia deixou de pagar a dívida de 1,6 bilhões de euros com o Fundo Monetário Internacional (FMI), tornando-se o primeiro país desenvolvido a dar um calote no órgão. Mas, apesar das relações entre Atenas e Moscou e da instabilidade no cenário global, os economistas garantem que o ocorrido não teve grande efeito sobre a economia russa.

“O default da Grécia era um evento esperado, por isso, a reação dos investidores foi moderada, ainda que negativa”, diz a analista Anna Kokoreva, da consultoria financeira Alpari. “Não esperamos um colapso do euro e dos mercados de ações, mas as reduções são inevitáveis. Esses índices podem sofrer uma alteração na faixa de 2 a 3%.”

O fortalecimento do dólar também é uma tendência cada vez mais presente, segundo a corretora Elizaveta Beluguina, da FBS. “A volatilidade global da moeda e dos títulos russos aumentou, mas, levando em conta que o enfraquecimento do rublo tem um efeito positivo na economia russa, não prevemos consequências negativas graves em função do calote”, explica.

O não pagamento da dívida externa pelos gregos poderia, a longo prazo, ocasionar a fuga de capital da Rússia. “Os investidores estarão menos dispostos a assumir riscos e, assim, irá crescer a demanda por ativos mais confiáveis, mas menos rentáveis”, sugere Kokoreva.

No entanto, desde que as sanções foram impostas e os mercados ocidentais se fecharam à Rússia, a economia do país não se apoia em um forte fluxo de capital. “Por isso, não devemos esperar muita pressão e uma retirada ativa de capital”, diz Egor Sussin, analista do Gazprombank.

Roleta grega

 No domingo passado (5), os gregos decidiram, em referendo, rejeitar as exigências dos credores internacionais em troca de ajuda financeira. As condições propostas pelos europeus incluíam compromissos fiscais, cortes de gastos e reforma profunda na previdência. Com a vitória do “não”, Atenas rejeitou a proposta de austeridade fiscal sugerida pelos credores. 

Na tentativa de retomar as negociações interrompidas no último dia 27, o Eurogrupo convocou uma reunião de emergência para esta terça-feira (7). No entanto, o novo ministro das Finanças grego, Euclides Tsakalotos, frustrou novamente os credores ao chegar ao encontro sem uma proposta definida.

Embora a apresentação da proposta grega tenha sido adiada para quarta-feira (8), os analistas da agência internacional Standard & Poor’s (S&P), acreditam que a permanência da Grécia na zona do euro é cada mais incerta. Além disso, poucos economistas se arriscam a prever o futuro do país, caso esse cenário se confirme. 

“A saída da Grécia da zona euro irá facilitar as relações comerciais entre o país e a Rússia. A nova moeda da Grécia será fraca, e os produtos do país ficarão mais baratos. A redução da dependência do país em relação aos credores externos pode ter um impacto positivo na política externa da Grécia em relação à Rússia”, afirma Kokoreva, da Alpari.

Para Sussin, o fato poderia acelerar o projeto do Turkish Stream, gasoduto que se estenderá da Rússia à Turquia através do mar Negro, já que a Grécia teria maior interesse na cooperação com outros países depois de deixar a zona do euro. “Mas é pouco provável que a UE permita a saída da Grécia, porque isso pode gerar consequências imprevisíveis”, diz.

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.