Brics ganham fôlego com cúpula

Reunião de líderes dos países-membros ocorre em Ufá, na Rússia central, a partir da próxima quarta-feira (8) Foto: Mikhail Klimentiev /RIA Nóvosti

Reunião de líderes dos países-membros ocorre em Ufá, na Rússia central, a partir da próxima quarta-feira (8) Foto: Mikhail Klimentiev /RIA Nóvosti

Com sanções ocidentais, grupo passa a desempenhar papel-chave na política externa do Kremlin, que busca estreitar conexões.

Às vésperas da sétima Cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a se realizar de 8 a 10 de julho em Ufá, na Rússia central, o caráter do grupo volta à pauta do dia. Surgido como uma união puramente formal de países emergentes atraentes para investidores estrangeiros, ogrupo BRIC - mais tarde, com a inclusão da África do Sul, em 2011, “Brics” - transformou-se devido a seu posicionamento comum na política externa. 

Vladímir
Pútin
" Esperamos chegar a um acordo sobre o início das atividades práticas do Banco do Brics e do pool de reservas cambiais durante a cúpula em Ufá. O Brics já se tornou um elemento influente na política e na economia mundial, e a Rússia está interessada em aprofundar 
a cooperação com os países do grupo”

“Um dos principais fatores que consolidaram o bloco foi o sentimento nutrido pelos cinco países-membros de que esses eram sub-representados em organizações internacionais centradas no Ocidente”, diz o vice-diretor da faculdade de Economia e Política Mundial da Escola Superior de Economia, Dmítri Suslov.

Perspectivas do grupo

O principal objetivo da união é a transição real para um mundo multipolar onde o direito internacional prevaleça. 

“O Brics é diplomacia em rede, na sua melhor concepção, e a atividade do grupo não assenta nos ditames de um Estado, mas na busca por um consenso”, afirma o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguêi Riabkov.
Por outro lado, o desenvolvimento do grupo foca não a criação de instrumentos alternativos de governança global, mas o reforço daqueles já existentes, segundo Suslov. 
“Uma vez que o Ocidente não quer compartilhar suas posições dominantes e as utiliza com fins políticos, como se vê pelas sanções contra a Rússia, o Brics vai pelo caminho da criação de instituições globais paralelas. Não falamos aqui da substituição, por exemplo, do sistema bancário mundial pelo Banco de Desenvolvimento do Brics, mas em fazer com que estes fundamentos da governança global se conjuguem uns com os outros”, explica.

Dilma
Rousseff

" Esperamos que a próxima Cúpula do Brics em Ufá acelere a implantação do novo Banco de Desenvolvimento do Brics e do Acordo Contingente de Reservas, que aprovamos no ano passado, na presença do presidente Xi Jinping, em Fortaleza”

No caminho para alcançar essas metas, o Brics não irá evoluir para uma organização centralizada de pleno direito, acredita o professor do Departamento de Processos Históricos Mundiais do Mgimo, Serguêi Vesselóvski. “Por enquanto, nenhum país do grupo está pronto para assumir a carga integral da liderança formal política e econômica, unindo os demais em torno de si”, explica ele.  

O bloco também não deverá adotar uma integração horizontal do tipo da UE. Segundo Suslov, é improvável que o Brics avance no sentido da institucionalização, e o mais provável é que se mantenha um fórum com presidência rotativa. 

Alinhamento geral

“Para melhorar a eficiência do atual formato, porém, o grupo deverá aumentar a coordenação em todos os domínios”, diz o pesquisador Gueórgui Toloraia.

Em seu primeiro ano na presidência do grupo, Moscou já iniciou esses trabalhos inagurando eventos pioneiros, como a reunião de vice-chanceleres dos países do Brics dedicada à situação no Oriente Médio, realizada no final de maio; o Fórum Civil e o Fórum Parlamentar do Brics, em maio; o Fórum de Pequenos Negócios e o encontro entre ministros das Comunicações do Brics, planejados para outubro, entre outros. Além disso, o país fundou, no mês passado, o Instituto Internacional de Direito do Brics, em Iekaterinburgo.

Com as divergências russas com o Ocidente, o Brics passou a ter especial importância para Moscou, já que pode se tornar uma ferramenta para a reforma do sistema mundial como um todo, e não apenas no setor econômico.

 

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