“Nunca pertenci às chamadas elites”, diz Pútin na TV

Foto: Reuters

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No domingo passado (26), o canal Rússia-1 exibiu o documentário-entrevista “Presidente”, por ocasião do 15º aniversário do início do primeiro mandato presidencial de Pútin. Leia abaixo as principais declarações feita pelo presidente russo durante o programa de TV.

Poder desde 2000

“Quando eu era primeiro-ministro e Iéltsin anunciou que deixaria a presidência do país, alguns oligarcas vieram ao meu escritório na Casa Branca, sentaram-se na minha frente e disseram: ‘Você sabe que não nunca será presidente aqui?’. E eu respondi: ‘Bem, vamos ver’.” 

“Eu trabalhei por quase 20 anos na inteligência externa da KGB e até chegou a parecer que, com a queda das barreiras ideológicas do Partido Comunista, tudo iria mudar radicalmente. Mas não, não mudou. Acontece que existem interesses geopolíticos que geralmente não estão associados a nenhuma ideologia. Os nossos parceiros precisam entender que um país como a Rússia tem, e não poderia deixar de ter, os seus interesses geopolíticos.” 

Esmola do Ocidente

“Tenho, por vezes, a impressão de que eles nos amam quando é preciso enviar para nós ajuda humanitária. (...) Os chamados círculos governamentais, as elites políticas e econômicas desses países gostam de nós quando estamos miseráveis, pobres e ficamos com a mão estendida.”

Crimeia sem remorso

“Estou convencido de que não estamos violando nenhuma regra do jogo. Quando digo ‘regras do jogo’ me refiro antes de tudo ao direito internacional, ao direito público internacional, à Carta das Nações Unidas e a tudo o que está relacionado com ela. Isso diz respeito às nossas relações com a Ucrânia, isso diz respeito à situação na Crimeia, isso diz respeito à nossa posição em outras regiões do mundo para combater o terrorismo internacional.” 

“O mais importante para nós foi entender o que queriam os moradores da Crimeia. Se o que eles queriam era voltar para a Rússia e não serem governados por neonazistas, nacionalistas extremistas e seguidores de [Stepan] Bandera, então, não tínhamos o direito de abandoná-los. (...) Não foi porque quisemos cravar o dente ou pegar alguma coisa para nós. E nem mesmo porque a Crimeia fosse de importância estratégica no mar Negro. Mas porque foi uma questão de justiça histórica. Eu acredito que fizemos a coisa certa e não me arrependo de nada".

Pútin por Pútin

“Nunca pertenci às chamadas elites. E isso é muito bom. Se as pessoas vivem ou nascem em um a classe diferente, também não tem mal algum. <...> Mas, para uma pessoa com a minha função, essa relação e sentimento de pertencer ao povo é extremamente importante.”

“Eu não tento encontrar fontes (de informação) complementares. Eu não preciso procurar, tenho tudo isso. <...> Simplesmente me sinto parte do nosso país, parte do povo. <...> Esses sinais chegam até mim instantaneamente, quando eu sinto que as pessoas estão insatisfeitas com algo.”

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